Moraes mantém Débora em casa, mas impõe pente-fino antes de reduzir pena

Falhas na tornozeleira não levaram Débora do Batom de volta ao regime fechado. Agora, documentos sobre dois cursos feitos na prisão decidirão se ela poderá abater mais dias da condenação.
Moraes mantém Débora em casa, mas impõe pente-fino antes de reduzir pena

Moraes mantém Débora em casa, mas impõe pente-fino antes de reduzir pena
Débora Rodrigues dos Santos escapou do retorno ao regime fechado, mas ainda não garantiu a redução da pena. Alexandre de Moraes manteve a cabeleireira em prisão domiciliar enquanto exige provas de que dois cursos realizados no cárcere podem, de fato, render remição.

Na leitura pró-governo, a decisão confirma a validade das explicações apresentadas pela defesa sobre as interrupções no sinal da tornozeleira. A Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo não encontrou violação do equipamento, e Moraes, por isso, “deixou de revogar a prisão para o regime fechado”. Ao mesmo tempo, o ministro deu cinco dias para que a Vara de Execuções Penais de Paulínia comprove os certificados dos cursos “Reescrevendo minha história: marketing – TAR” e “Reescrevendo minha história: PLANEJ”.

A cobertura de oposição enfatiza outro ângulo: o ministro teria determinado um “pente-fino em dois cursos feitos na prisão” antes de decidir sobre o desconto. Moraes quer saber se as capacitações tinham autorização pública, integravam o projeto pedagógico da unidade e contavam com conteúdo programático, avaliações, notas e certificados regulares.

As duas perspectivas convergem nos fatos, mas divergem no foco. Uma destaca a manutenção da domiciliar após a ausência de infração; a outra ressalta o rigor da investigação sobre os estudos. Em comum, ambas mostram que o benefício continua em aberto.

A Procuradoria-Geral da República já se manifestou favoravelmente ao reconhecimento de 212 dias de remição — quatro por leitura, 108 por trabalho e 100 pela aprovação no Enem para pessoas privadas de liberdade. Os dois cursos podem ampliar essa conta, desde que passem pela verificação documental.

Condenada a 14 anos por cinco crimes relacionados ao 8 de Janeiro, Débora ficou conhecida por escrever “Perdeu, mané” com batom na estátua da Justiça. Sua defesa sustenta que o tempo cumprido e os abatimentos já permitiriam a progressão de regime; Moraes, por enquanto, mantém a porta aberta, mas não assina o desconto sem conferir cada certificado.

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