Hugo Motta escolhe Lula na Paraíba e embaralha o jogo do Republicanos

Presidente da Câmara apoia a reeleição de Lula enquanto seu partido mantém neutralidade nacional. A aliança aproxima Motta do PT, mas não garante apoio petista ao projeto de seu pai para o Senado.
Hugo Motta escolhe Lula na Paraíba e embaralha o jogo do Republicanos

Hugo Motta escolhe Lula na Paraíba e embaralha o jogo do Republicanos
A neutralidade nacional do Republicanos durou pouco no palanque paraibano. Presidente da Câmara e candidato a novo mandato, Hugo Motta escolheu apoiar a reeleição de Lula — um movimento que aproxima adversários em Brasília e, ao mesmo tempo, expõe os limites das alianças estaduais.

Na leitura da oposição, a decisão evidencia o afastamento entre Motta e o campo bolsonarista, embora ele pertença ao partido do governador paulista Tarcísio de Freitas. O deputado justificou que aguardava a convenção da legenda antes de tornar pública sua escolha: “A tendência, aqui na Paraíba, é que caminhemos com o presidente Lula”. Segundo ele, o apoio “converge com aquilo que pensamos ser o melhor para o país”.

A convenção do Republicanos decidiu não apoiar oficialmente nenhum candidato à Presidência e liberou os diretórios estaduais para negociar. A saída frustrou a expectativa de uma aliança com Flávio Bolsonaro, que chegou a manter conversas com o presidente da sigla, Marcos Pereira.

Já a perspectiva governista trata o anúncio menos como surpresa e mais como confirmação. O pai de Motta, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley, declara voto em Lula há meses e disputará o Senado. Na Paraíba, o Republicanos está coligado com o PP do governador Lucas Ribeiro, numa chapa que também reúne o PT.

A convergência, porém, não é completa. Lula não deverá retribuir o apoio de Motta com um endosso a Nabor. O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o petista pedirá votos para João Azevedo e Veneziano Vital do Rêgo, aliados mais antigos. Ainda assim, prometeu construir “uma relação de muito respeito com o Nabor”.

Os dois campos concordam sobre o fato central — Motta está com Lula —, mas divergem na moldura. Para a oposição, trata-se de uma ruptura no tabuleiro da direita; para os governistas, é a consolidação de uma aliança local já em curso. Em ambos os casos, a neutralidade partidária virou licença para o pragmatismo.

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