CBF aperta a cera em campo enquanto ética no Judiciário segue sem cartão vermelho

No futebol, novas regras trazem punições imediatas para acelerar as partidas. No Judiciário, a proposta de Fachin aposta na prevenção, mas é criticada por excluir o STF e não criar sanções.
CBF aperta a cera em campo enquanto ética no Judiciário segue sem cartão vermelho

CBF aperta a cera em campo enquanto ética no Judiciário segue sem cartão vermelho
Duas propostas prometem mudar comportamentos arraigados, mas seguem caminhos opostos. Enquanto o futebol brasileiro adota punições imediatas contra cera e pressão sobre árbitros, o Judiciário discute uma política de ética baseada mais em orientação do que em sanção.

No Brasileirão, o recado é direto: demorou, perdeu. CBF e clubes das Séries A e B aprovaram limites de cinco segundos para laterais e tiros de meta, dez segundos para a saída de atletas substituídos e um minuto fora de campo para jogadores atendidos sem lesão grave. A meta é elevar o tempo de bola rolando, hoje em 52min54seg na Série A, para perto de 60 minutos.

O pacote também determina que apenas o capitão dialogue com o árbitro em momentos de contestação, permite ao VAR revisar o segundo cartão amarelo e pune atrasos com perda de posse ou espera para a entrada do substituto. Segundo o levantamento apresentado pela CBF, o campeonato registra 28,6 faltas por partida, com demora média de 36,6 segundos em cada cobrança. As regras entram em vigor já na próxima rodada e depois alcançarão Copa do Brasil e Feminino A1.

No Judiciário, o contraste é evidente. A minuta apresentada por Edson Fachin ao CNJ busca prevenir conflitos de interesses, disciplinando presentes, hospitalidades, eventos patrocinados e a declaração prévia de vínculos familiares, profissionais e econômicos. Porém, não cria punições específicas, não obriga os tribunais a aderir e deixa os ministros do STF de fora, já que o conselho não pode fiscalizá-los.

Críticos consideram o texto “tímido” por não definir limites objetivos para presentes, quarentena ou transparência pública. Rodrigo Constantino resumiu a objeção em tom de deboche: “Fachin propõe código de ética sem punição e que exclui ministros do STF.”

A diferença central está na consequência: no gramado, a infração produz resposta na hora; nos tribunais, a prevenção avança, mas ainda sem um equivalente claro ao cartão vermelho.

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