Condenação de Assad promete justiça, mas execução parece distante
Condenação de Assad promete justiça, mas execução parece distante
A Síria transformou décadas de repressão numa sentença histórica contra Bashar al-Assad. Mas, protegido pela Rússia e julgado sem estar no país, o ex-ditador continua distante do alcance de Damasco.
O tribunal condenou Assad à morte, à revelia, por “crimes de guerra” e “crimes contra a humanidade”. Trata-se da primeira sentença contra ele sob as autoridades de transição, que passaram a processar integrantes do antigo regime depois de sua queda, em dezembro de 2024.
As versões convergem sobre o significado político da decisão: o novo poder sírio busca responsabilizar a cúpula de uma ditadura encerrada após mais de uma década de guerra civil. Também concordam que Assad fugiu para Moscou quando rebeldes tomaram Damasco e que permanece sob proteção russa.
O contraste aparece no alcance atribuído ao julgamento. Uma reportagem destaca a condenação de Atif Najib, primo de Assad e antigo chefe da segurança política em Daraa, por assassinato, “homicídio doloso de crianças menores de 15 anos” e tortura que resultou em morte. Outra afirma que Maher al-Assad, irmão mais novo do ex-presidente, também recebeu a pena capital no mesmo processo, ao lado de Najib.
A sentença, portanto, é ao mesmo tempo concreta e simbólica. Najib está preso e compareceu ao tribunal; Bashar e Maher não estavam presentes. A extradição do ex-ditador já foi solicitada pelo presidente Ahmed al-Sharaa a Vladimir Putin, mas não avançou — e Moscou foi um dos principais sustentáculos militares do antigo regime.
Enquanto a Justiça tenta fechar as contas do passado, a Síria segue fragmentada. A guerra matou centenas de milhares, deslocou milhões e deixou um país ainda marcado por violência sectária e desconfiança das minorias. Condenar Assad foi possível; levá-lo ao cadafalso é outra história.
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