Flávio estreia em Copacabana, mas atrai só 15% do público do pai
Flávio estreia em Copacabana, mas atrai só 15% do público do pai
Flávio Bolsonaro escolheu um palco consagrado pelo pai para abrir sua campanha presidencial, mas a estreia expôs justamente a distância entre os dois. Em Copacabana, a herança política mostrou força suficiente para reunir milhares — não para repetir as multidões de Jair Bolsonaro.
O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap estimou 8,9 mil pessoas no pico do ato, às 11h30, com margem de erro de 12%. A contagem, baseada em fotografias aéreas processadas por inteligência artificial, coloca o público entre 7,8 mil e 9,9 mil participantes. Para a oposição, o resultado confirmou uma estreia fraca: em setembro de 2022, Jair Bolsonaro reuniu 64,6 mil pessoas no mesmo local.
Aliados de Flávio adotaram outra régua. Em vez de comparar o encontro às grandes manifestações bolsonaristas, classificaram-no como um evento eleitoral de dimensões mais modestas. “Não é manifestação. É comício. E a gente não dá ônibus”, afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante. Ele também minimizou as ausências de Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira: “Estratégia para ganhar a eleição é se espalhar por todo Brasil”.
A explicação, contudo, esbarrou na própria divulgação feita pelo campo bolsonarista. Eduardo Bolsonaro compartilhou uma convocação que apresentava o encontro como “manifestação em Copacabana pela LIBERDADE DE EXPRESSÃO”. Em outra publicação, promoveu a transmissão do “1º ato público da campanha” e pediu que seguidores assistissem e compartilhassem.
Os dois lados concordam sobre o número; divergem sobre o que ele significa. Críticos veem perda de capacidade de mobilização, enquanto aliados falam em estratégia descentralizada. A comparação mais incômoda permanece: Flávio falou para cerca de 9 mil pessoas, ante 64 mil do pai em 2022 — embora apareça próximo de Lula nas pesquisas de intenção de voto.
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