Brandão mira Dino enquanto investigação aperta o cerco no Maranhão

A defesa do governador contesta o foro, a atuação de Flávio Dino e a validade das apurações. Do outro lado, depoimentos e indícios reunidos pela PF sustentam a permanência do caso no STF.
Brandão mira Dino enquanto investigação aperta o cerco no Maranhão

Brandão mira Dino enquanto investigação aperta o cerco no Maranhão
A investigação que alcançou a cúpula do Maranhão abriu uma batalha paralela: antes de responder às suspeitas, o governador Carlos Brandão tenta retirar o caso das mãos de Flávio Dino. O embate mistura uma antiga aliança política desfeita, acusações graves e uma disputa sobre qual tribunal pode conduzir as apurações.

A defesa de Brandão afirma que Dino é “constitucionalmente incompetente” para supervisionar uma investigação contra o governador. Os advogados sustentam que a competência seria do Superior Tribunal de Justiça e alegam que a falta de aval da Procuradoria-Geral da República compromete as medidas adotadas pela Polícia Federal.

O argumento vai além do foro. Segundo os defensores, o sistema acusatório teria sido desrespeitado, enquanto o sigilo mantido por mais de um ano teria impedido o acesso aos autos. Brandão nega ligação com os crimes e classifica as imputações como inconsistentes.

Dino seguiu na direção oposta. Ao afastar Daniel Brandão — sobrinho do governador — da presidência do TCE-MA, o ministro apontou indícios de desvio de emendas e tentativa de obstruir a investigação do assassinato de João Bosco, em 2022. A decisão menciona ainda a presença de um senador entre os investigados como fundamento para manter o processo no Supremo.

O ponto mais explosivo veio do depoimento de Gilbson Cutrim, condenado pelo homicídio. Ele disse à PF que levava dinheiro ao grupo de Brandão “dentro do palácio” e afirmou ter sido atraído por Daniel ao local do crime. As acusações são negadas pelos dois: o governador rejeita ser chefe de uma organização criminosa, enquanto Daniel declara sua “absoluta inocência” e diz estar à disposição da Justiça.

Assim, os dois lados travam batalhas diferentes. A defesa concentra fogo na competência de Dino e nas garantias processuais; a investigação responde com conexões políticas, movimentação de recursos e suspeitas de interferência. No centro está a ruptura entre Brandão e o ministro, que já governaram juntos e agora se enfrentam no processo mais delicado da política maranhense.

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