Fachin reage a ofensiva eleitoral contra o STF e salários viram campo de batalha
Fachin reage a ofensiva eleitoral contra o STF e salários viram campo de batalha
O STF entrou de vez na disputa política: enquanto candidatos da oposição prometem limitar o poder da Corte, Edson Fachin tenta separar críticas legítimas de uma campanha eleitoral de desgaste — justamente quando os salários da magistratura alimentam a desconfiança pública.
Sem mencionar nomes, o presidente do Supremo afirmou que ataques ao Judiciário não podem virar método de propaganda. “Há uma forma de populismo que opera pela erosão das instituições”, declarou, acusando seus críticos de transformar exceções em regra e produzir uma “narrativa permanente de ilegitimidade”.
O recado alcança propostas associadas a Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. O primeiro defende limitar a atuação do STF e recuperar prerrogativas do Congresso; o segundo propõe mandato para ministros, idade máxima de 60 anos e restrições a decisões individuais. Para Fachin, porém, uma coisa é reformar; outra, promover a “demolição de instituições” como estratégia política.
A oposição enxerga o movimento pelo ângulo inverso: as mudanças seriam uma resposta à concentração de poder e à falta de limites claros. Fachin sustenta que o Judiciário aceita escrutínio, mas rejeita a generalização. “Faz-se necessário separar […] o joio do trigo”, disse ao defender magistrados que atuam com honestidade e produtividade.
O ponto mais delicado é a remuneração. Fachin lançou uma cartilha de 20 páginas para explicar o teto e as verbas indenizatórias, dias depois de o STF mandar sete tribunais suspenderem pagamentos excessivos e devolverem valores não justificados. A Corte fixou que vantagens adicionais podem chegar a 70% do teto de R$ 46 mil — até R$ 32,4 mil extras —, combinação que mantém viva a crítica aos chamados “penduricalhos”.
Assim, os dois lados reivindicam transparência, mas divergem sobre o diagnóstico: Fachin vê correções internas acompanhadas por uma ofensiva populista; seus adversários apontam as próprias distorções como razão para reduzir o alcance do Supremo.
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