Rompimento político vira argumento de Brandão para afastar Dino de inquéritos

A defesa do governador questiona a imparcialidade e a competência de Flávio Dino, enquanto as investigações apontam suspeitas envolvendo a cúpula estadual. Os investigados negam irregularidades.
Rompimento político vira argumento de Brandão para afastar Dino de inquéritos

Rompimento político vira argumento de Brandão para afastar Dino de inquéritos
Uma antiga aliança no comando do Maranhão transformou-se em batalha judicial no Supremo Tribunal Federal. Carlos Brandão tenta afastar Flávio Dino de investigações sobre seu grupo, enquanto decisões do ministro ampliam a pressão sobre o governo estadual.

A defesa de Brandão sustenta que o passado político de Dino — governador entre 2015 e 2022, tendo Brandão como vice — compromete sua atuação nos casos. Após o rompimento entre os antigos aliados, os advogados Nabor Bulhões e José Carlos Porciúncula afirmaram que o ministro é “constitucionalmente incompetente” para conduzir as apurações. Também argumentaram que a Procuradoria-Geral da República não referendou as investigações da Polícia Federal.

Do outro lado, as decisões de Dino se apoiam em suspeitas que vão além da rivalidade eleitoral. O ministro afastou Daniel Brandão, sobrinho do governador, da presidência do Tribunal de Contas do Maranhão. A investigação apura possíveis desvios de emendas, cobranças de propina e tentativas de obstruir a apuração do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em São Luís, em 2022.

Brandão pediu a suspensão do inquérito e defendeu que o caso seja remetido à PGR ou ao Superior Tribunal de Justiça, foro especial dos governadores. Raimundo Cutrim, ex-secretário estadual e outro investigado, também quer o impedimento de Dino, a quem chama de “diretamente interessado” no caso. Os pedidos ainda aguardam decisão no STF.

A defesa vê conflito de interesse; a investigação, indícios que justificam medidas cautelares. Daniel Brandão declarou “absoluta inocência”, disse ter recebido o afastamento com “profunda perplexidade” e prometeu cumprir a ordem enquanto recorre. Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha, também citado nas apurações, negam irregularidades.

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