Oposição diz que Trump usa licenças da ABC para pressionar a Disney

A Disney acusa o governo Trump de retaliação política e pede o bloqueio urgente da revisão de oito licenças. A FCC sustenta que antecipou o processo para investigar possíveis irregularidades e fiscalizar obrigações públicas.
Oposição diz que Trump usa licenças da ABC para pressionar a Disney

Oposição diz que Trump usa licenças da ABC para pressionar a Disney
A disputa entre a Disney e o governo Donald Trump saiu das telas e chegou aos tribunais. De um lado, a companhia denuncia uma ofensiva política contra a ABC; do outro, a agência reguladora defende seu poder de fiscalizar emissoras.

Disney e ABC entraram com ação em um tribunal federal de Washington para suspender a revisão antecipada das licenças de oito estações. O procedimento, normalmente previsto para outubro de 2028, foi adiantado pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), algo que, segundo a empresa, não ocorria havia mais de 50 anos.

Para a Disney, a mudança não é uma decisão técnica, mas parte de uma “campanha de retaliação” motivada pela programação e pelo jornalismo da ABC. A companhia afirma que a FCC tenta “coagir e retaliar contra uma rede que se recusa a ceder às exigências do governo” e aponta a proximidade entre a ordem regulatória e críticas públicas de Trump ao apresentador Jimmy Kimmel.

A FCC apresenta uma justificativa diferente. A agência diz que antecipou as renovações por considerá-las necessárias a uma investigação sobre possível discriminação ligada aos programas de diversidade, equidade e inclusão da Disney. Segundo o órgão, a medida permite conduzir a apuração e verificar se as emissoras cumprem “suas obrigações de interesse público de forma mais ampla”.

As duas partes, portanto, concordam apenas que o processo é extraordinário. A divergência está em sua finalidade: a Disney vê ameaça à liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda; a FCC descreve fiscalização legítima. A empresa pede uma liminar que impeça qualquer medida ou audiência sobre as licenças, alegando risco imediato às operações da ABC. A Casa Branca e a comissão não haviam apresentado resposta ao processo.

A decisão judicial poderá definir não apenas o ritmo da revisão, mas também até onde uma agência federal pode avançar contra uma rede de televisão em meio a críticas explícitas do presidente à sua cobertura.

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