Pró-governo diz que auditoria trava socorro de R$ 150 milhões ao Vasco
Pró-governo diz que auditoria trava socorro de R$ 150 milhões ao Vasco
O Vasco corre contra dois relógios: o da Justiça, que cobra transparência antes de liberar novo crédito, e o do futebol, que se aproxima do fim da janela de transferências. No meio dessa disputa está um empréstimo emergencial de R$ 150 milhões — e um caixa sob forte pressão.
Pela ótica financeira do clube, a captação seria indispensável para evitar um colapso. O Vasco projeta R$ 500 milhões em receitas e R$ 800 milhões em despesas em 2026, deixando um rombo de R$ 300 milhões. Este seria o terceiro empréstimo solicitado durante a recuperação judicial, depois de operações de R$ 80 milhões e R$ 40 milhões; apesar da urgência alegada, a juíza Simone Gastesi Chevrand condicionou qualquer avanço à auditoria das contas.
A Justiça, porém, trata fiscalização e liquidez como questões inseparáveis. Antes de analisar o novo DIP Financing, Chevrand quer ouvir o Comitê de Credores, a Administradora Judicial, o Watchdog, o Gatekeeper e o Ministério Público. Também determinou a verificação da prestação de contas do empréstimo anterior, de R$ 40 milhões. O pedido vascaíno aponta “necessidade de aproximadamente R$ 150 milhões em liquidez até 31 de outubro”, montante que pode subir a R$ 210 milhões até dezembro.
O contraste é direto: para o Vasco, a demora ameaça salários, tributos, fornecedores e o planejamento esportivo; para o juízo, liberar mais dívida sem conferir o uso dos recursos anteriores elevaria o risco da recuperação. A decisão foi explícita ao afirmar que “não serão admitidos novos endividamentos enquanto não realizada a auditoria e apresentado, ao menos, o relatório sumário”.
O relatório inicial deve levar pelo menos 15 dias, e a análise completa pode chegar a 30. Com a janela perto do fechamento, o dinheiro poderá chegar tarde demais para contratações. O clube ainda pode recorrer ao Tribunal de Justiça do Rio, mas, por enquanto, o reforço financeiro e os movimentos no mercado permanecem indefinidos.
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