Cerimedo é preso após ataque, mas versões divergem sobre o que a polícia realmente apura

O argentino foi detido após sua ex-companheira ser baleada na Bolívia. Enquanto uma reportagem o trata como mandante, outras destacam que a polícia ainda tenta determinar se ele participou do ataque.
Cerimedo é preso após ataque, mas versões divergem sobre o que a polícia realmente apura

Cerimedo é preso após ataque, mas versões divergem sobre o que a polícia realmente apura
A prisão de Fernando Cerimedo após o ataque a tiros contra sua ex-companheira é o ponto comum. O grau de certeza sobre seu envolvimento, porém, muda radicalmente conforme a versão — e vai de uma investigação em aberto a uma acusação já apresentada como fato.

Cerimedo foi detido no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra. Segundo o comandante regional David Gómez, a polícia soube que ele e a ativista Nadia Beller haviam enfrentado “nos últimos dias um problema de natureza sentimental”. O chefe policial adotou cautela: as autoridades apuram se o argentino teve “algum tipo de participação”, e a investigação ainda deverá “confirmar ou descartar” as hipóteses.

Uma reportagem de viés pró-governo foi muito além. O texto afirmou que Cerimedo teria sido preso “acusado de mandar matar a própria esposa” e que uma investigação já apontaria a contratação de criminosos. A versão contém inconsistências relevantes: identifica a vítima como Natalia Belén Basil e chama o episódio de homicídio, embora também informe que ela foi hospitalizada. Outras fontes identificam a mulher como Nadia Beller, ex-namorada de Cerimedo, que sobreviveu e passou por cirurgia.

Outra cobertura do mesmo campo político foi mais comedida. Ela descreveu Cerimedo como suspeito e informou que Gómez ainda investigava se ele seria um dos dois homens filmados no local do crime. Imagens mostram dois indivíduos vestidos como entregadores; um deles dispara contra a vítima, e ambos fogem após roubar uma motocicleta.

A defesa de Cerimedo ainda não havia comentado a detenção. Em julho, ele negara relatos anteriores de violência doméstica, dizendo que “tal fato jamais ocorreu” e que não existiam denúncia, mandado ou investigação. Já o governo boliviano pediu uma apuração “séria e aprofundada” e ressaltou que ninguém está acima da lei — posição que reforça a gravidade do caso, mas não antecipa sua conclusão.

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