Lula joga o futuro da “taxa das blusinhas” no colo do Congresso

O presidente vende a isenção como justiça tributária, enquanto empresários temem a concorrência externa e críticos apontam cálculo eleitoral. Sem votação até 8 de setembro, o imposto federal de 20% retorna.
Lula joga o futuro da “taxa das blusinhas” no colo do Congresso

Lula joga o futuro da “taxa das blusinhas” no colo do Congresso
O relógio corre para Lula transformar uma isenção temporária em vitória política. Do outro lado, Congresso, empresários e a própria equipe econômica pesam o apelo popular contra os efeitos sobre a indústria, o comércio e a arrecadação.

O presidente apresenta o fim do imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50 como correção de uma desigualdade: consumidores de menor renda pagam por pequenas encomendas, enquanto viajantes têm uma cota de isenção muito maior. Lula também contesta a tese de proteção ao mercado nacional, lembrando que boa parte das roupas vendidas no Brasil é produzida em países como China, Bangladesh e Vietnã.

“Eu estou convencido que o presidente do Senado, Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, vão votar e a gente vai aprovar o fim da taxação das blusinhas porque é uma questão de justiça”, afirmou Lula. A confiança funciona também como pressão: se a medida provisória não passar até 8 de setembro, perderá a validade e a alíquota federal de 20% voltará a ser cobrada.

A leitura crítica é bem diferente. A isenção foi anunciada perto da campanha eleitoral e o apelo presidencial foi gravado durante a produção de programas de campanha, alimentando avaliações de que a iniciativa busca recuperar popularidade. O imposto, afinal, havia entrado em vigor em 2024 após aprovação do Congresso e sanção do próprio Lula.

Há ainda o choque econômico. Empresários reclamam do aumento das importações e defendem a retomada, ao menos parcial, da cobrança ou alguma compensação para a produção nacional. Até o Ministério da Fazenda admitiu que poderia propor uma revisão se as compras externas provocassem falta de isonomia; em 2025, a arrecadação com impostos sobre encomendas internacionais chegou a R$ 5 bilhões.

Assim, os dois campos concordam que a medida altera a concorrência — mas divergem sobre quem merece proteção. Para Lula, o consumidor de baixa renda; para seus críticos e parte do setor produtivo, as empresas e os empregos nacionais.

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