Pró-governo diz que automação pode destravar milhares de benefícios do INSS
Pró-governo diz que automação pode destravar milhares de benefícios do INSS
O governo promete encurtar a distância entre vencer um recurso previdenciário e finalmente receber o benefício. A proposta ataca um gargalo histórico, mas chega cercada por dúvidas técnicas, demora acumulada e críticas sobre a alta dos indeferimentos.
O Ministério da Previdência encarregou INSS e Dataprev de desenvolver uma solução que implemente automaticamente decisões favoráveis do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Hoje, 336,8 mil processos já julgados em favor dos segurados ainda aguardam efeitos práticos, como a liberação de um benefício ou a revisão de aposentadorias e pensões.
Para o ministro Wolney Queiroz, o modelo atual enfraquece a via administrativa: “Ela ganha, e aí depois o INSS passa meses para implementar. É contraproducente, e as pessoas são levadas ao Judiciário.” Embora o prazo formal de execução tenha subido de 30 para 60 dias, a etapa de conclusão levou, em média, 130 dias no segundo trimestre de 2026. Queiroz promete avançar “nos próximos meses”, mas não fixou uma data.
De um lado, o governo apresenta a automação como instrumento para reduzir filas e processos judiciais. De outro, a iniciativa ainda esbarra na troca de responsabilidades entre os órgãos. “O INSS diz que o sistema precisa ser aprimorado, a Dataprev diz que tem entraves que são do INSS”, afirmou o ministro.
A queda da fila inicial — de um recorde de 3,1 milhões para 1,44 milhão de requerimentos — também divide avaliações. Especialistas suspeitam que o estoque tenha diminuído com mais negativas; o governo rejeita essa interpretação e atribui os números ao aumento das análises concluídas. Ainda assim, a taxa de indeferimento avançou de 41,6% em 2025 para 50,5% no primeiro semestre de 2026, chegando a 53% nos benefícios por incapacidade.
A automação, portanto, pode eliminar uma espera adicional para quem já venceu. Mas não resolve, sozinha, o contraste central: uma fila menor nas estatísticas e um sistema que ainda demora — e frequentemente nega — na vida real.
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