Lula corre contra o relógio para derrubar a taxa das blusinhas

Presidente tenta convencer Câmara e Senado a manter a isenção para compras internacionais de até US$ 50. Sem votação até 8 de setembro, o imposto de 20% volta a ser cobrado.
Lula corre contra o relógio para derrubar a taxa das blusinhas

Lula corre contra o relógio para derrubar a taxa das blusinhas
Lula transformou o fim da “taxa das blusinhas” em teste de força no Congresso. Enquanto o governo apresenta a isenção como justiça tributária, o prazo curto e as dúvidas sobre o impacto no comércio aumentam a pressão sobre deputados e senadores.

A medida provisória editada em maio zerou o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Para tornar a mudança permanente, porém, o presidente precisa do aval do Congresso até 8 de setembro — caso contrário, a cobrança será retomada. A tarifa havia sido aprovada em 2024 com apoio do Ministério da Fazenda e entrou em vigor em agosto daquele ano.

O argumento de Lula contrapõe consumidores de menor renda aos brasileiros que viajam ao exterior. “A classe média alta viaja para fora e pode gastar 2 mil dólares e não paga imposto. Por que uma pessoa da periferia, uma mulher, uma jovem, um menino, compra uma coisa de 50 dólares e querem taxar ele?”, questionou. O presidente disse estar “otimista” e apelou diretamente aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta.

Do ponto de vista do governo, a retirada da tarifa corrige uma desigualdade sem necessariamente prejudicar os varejistas nacionais. Lula afirmou não entender “por que algumas pessoas estão incomodadas achando que isso prejudica o comércio” e classificou a mudança como “questão de justiça”. Já a leitura mais crítica ressalta a contradição política: o imposto foi aprovado pelo Congresso, contou com respaldo da equipe econômica e recebeu sanção do próprio presidente antes de Lula decidir suspendê-lo.

A batalha também expõe a dependência do Planalto de uma reconciliação com Alcolumbre. A tramitação ficou paralisada após o rompimento entre ambos, mas a retomada do diálogo abriu caminho para instalar a comissão mista em 1º de setembro. Restará apenas uma semana para converter o gesto político em votos.

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