Adiamento no STF mantém Couto no poder e acirra disputa pelo governo do Rio

Sem nova data para o julgamento, Ricardo Couto continua no Palácio Guanabara. A demora opõe defensores do voto direto, da eleição pela Alerj e da manutenção do interino durante o calendário eleitoral.
Adiamento no STF mantém Couto no poder e acirra disputa pelo governo do Rio

Adiamento no STF mantém Couto no poder e acirra disputa pelo governo do Rio
O STF adiou a decisão sobre o comando do Rio e, ao evitar uma resposta, produziu um resultado imediato: Ricardo Couto permanece governador interino, enquanto eleitores, deputados e candidatos disputam quem deveria controlar o Palácio Guanabara.

O processo definirá se governador e vice para o restante do mandato serão escolhidos diretamente pela população ou, de forma indireta, pela Assembleia Legislativa. Uma das apurações aponta maioria já formada pela eleição indireta: Luiz Fux teria sido acompanhado por André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia, enquanto Cristiano Zanin defendeu o voto popular.

O contraponto é jurídico e eleitoral. Ao pedir vista, Flávio Dino sustentou que o Supremo deveria aguardar o acórdão do TSE que tornou Cláudio Castro inelegível. “Eu não posso votar com base na TV Justiça, nós votamos com base nos autos”, afirmou o ministro, defendendo também a permanência de Couto até a conclusão do caso.

Nos bastidores, porém, o adiamento ganha uma leitura mais política. Uma ala do STF, associada sobretudo a Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, considera que a renúncia de Castro buscou preservar seu grupo no poder e articula a manutenção de Couto durante o período eleitoral. Nessa visão, entregar o governo ao presidente da Alerj premiaria uma manobra sucessória.

Do outro lado está Douglas Ruas, presidente da Assembleia e candidato ao governo. Ele afirma que a liminar que sustenta Couto “subverte a linha sucessória” da Constituição estadual. Já o governo interino diz que o desembargador “não mudou de opinião” e apenas cumpre uma determinação do Supremo.

As versões também divergem sobre a razão da retirada de pauta. Assessores da Corte atribuem a decisão à prioridade dada ao julgamento sobre a Lei Maria da Penha; outras fontes descrevem uma costura interna diante dos embaraços do caso. Seja qual for o motivo, o efeito é inequívoco: sem nova data, o STF congela a disputa — e mantém Couto no poder.

https://resumosbrasil.com/stories/01a01bad-8ec4-2fd8-7164-2f6eef0851ea

Write a comment