Dívida dos EUA rompe US$ 40 trilhões e expõe um alerta que une rivais

Leituras de campos distintos convergem no diagnóstico: déficits persistentes e juros crescentes ameaçam o orçamento americano, enquanto Washington evita escolhas politicamente difíceis.
Dívida dos EUA rompe US$ 40 trilhões e expõe um alerta que une rivais

Dívida dos EUA rompe US$ 40 trilhões e expõe um alerta que une rivais
A dívida pública dos Estados Unidos superou US$ 40 trilhões pela primeira vez, mas o número redondo é apenas a face mais visível do problema. O verdadeiro embate está em como conter déficits persistentes sem elevar impostos ou cortar benefícios populares.

Na leitura da oposição, a velocidade do endividamento acende o sinal vermelho: o estoque, que rondava US$ 19,4 trilhões há dez anos, chegou a US$ 40,04 trilhões. Somente em julho, o Tesouro registrou déficit de US$ 432,3 bilhões; no ano fiscal, o rombo se aproxima de US$ 1,8 trilhão. Os juros já ultrapassaram US$ 1,1 trilhão e comprimem recursos para outras prioridades. Maya MacGuineas, do Committee for a Responsible Federal Budget, advertiu que a trajetória deixa o país “mais vulnerável diante de futuras emergências”.

A perspectiva pró-governo não contesta a gravidade, mas relativiza o simbolismo da marca. Matthew Luzzetti, economista-chefe para os EUA do Deutsche Bank, afirmou que os US$ 40 trilhões devem chamar atenção, embora não representem “um limite mágico para a dinâmica da dívida”. O risco mais concreto, segundo ele, é a alta dos rendimentos dos títulos, que encarece continuamente o serviço da dívida.

As duas visões, portanto, divergem mais no enquadramento do que no diagnóstico. Ambas apontam responsabilidades acumuladas por governos republicanos e democratas, da pandemia e das guerras a cortes tributários e programas de assistência. Também concordam que Washington vem adiando decisões difíceis.

O governo tenta aliviar os custos com recompras de títulos de longo prazo, mas a meta do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de reduzir o déficit para cerca de 3% do PIB permanece distante. Com a relação em 6% em julho e o teto legal da dívida fixado em US$ 41,1 trilhões, o próximo confronto fiscal já aparece no horizonte — e o custo tende a chegar às hipotecas, aos financiamentos e aos cartões de crédito.

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