Moscou fala em alvos militares, mas ataque deixa rastro mortal em áreas civis de Kiev

A ofensiva russa matou dezenas de pessoas e danificou um hospital infantil, uma escola e residências. Enquanto Moscou sustenta ter mirado instalações militares, Kiev cobra mais sistemas Patriot.
Moscou fala em alvos militares, mas ataque deixa rastro mortal em áreas civis de Kiev

Moscou fala em alvos militares, mas ataque deixa rastro mortal em áreas civis de Kiev
Moscou diz ter atingido alvos militares estratégicos. Em Kiev, porém, o cenário foi de janelas estilhaçadas em um hospital infantil, edifícios residenciais destruídos e vítimas retiradas dos escombros.

Os relatos convergem sobre a escala da ofensiva russa, mas apresentam recortes diferentes do número de vítimas. Um balanço registra ao menos 12 mortos e 33 feridos na capital, onde 12 locais foram atingidos nos distritos de Darnytskyi, Sviatoshynskyi e Solomianskyi. Um prédio residencial de nove andares perdeu os dois pisos superiores, enquanto pessoas ficaram presas em imóveis e no abrigo de uma escola.

Outra apuração eleva o saldo para pelo menos 14 mortos na região de Kiev e aponta 23 mortes e 132 feridos em toda a Ucrânia nas últimas 24 horas. O ataque também alcançou as regiões de Zhytomyr, Kherson, Kharkiv e Donetsk.

A principal divergência está na natureza dos alvos. O Ministério da Defesa russo classificou a operação como um “ataque massivo com armas de alta precisão” contra instalações militares, um centro logístico e armazéns. Autoridades ucranianas, em contraste, relatam danos a residências, uma escola e um hospital infantil. As versões não são equivalentes: mesmo sem relato de impacto direto nas enfermarias, o hospital teve janelas quebradas e carros incendiados nas proximidades.

A ofensiva combinou dezenas de mísseis balísticos, de cruzeiro e hipersônicos com 168 drones. Segundo a Força Aérea ucraniana, 145 drones e a maior parte dos mísseis de cruzeiro foram abatidos, mas nenhum projétil balístico foi interceptado — a lacuna que sustenta a nova pressão de Volodymyr Zelensky sobre Washington.

“Cada míssil adicional salva a vida do nosso povo”, afirmou o presidente ucraniano ao pedir mais interceptadores Patriot. Em outra declaração, ele disse que o país dispõe de apenas 1% dos interceptadores Patriot armazenados pelos Estados Unidos e argumentou que uma venda equivalente a 5% ajudaria a Ucrânia a atravessar o inverno e salvar vidas.

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