Brasil busca soberania em IA com supercomputador de R$ 1 bilhão e ajuda chinesa

O governo quer reduzir a dependência do processamento feito no exterior, mas combina infraestrutura nacional com cooperação chinesa. A aposta inclui uma máquina no Rio Grande do Norte, chips abertos e uma nuvem brasileira.
Brasil busca soberania em IA com supercomputador de R$ 1 bilhão e ajuda chinesa

Brasil busca soberania em IA com supercomputador de R$ 1 bilhão e ajuda chinesa
O Brasil quer ganhar autonomia na corrida da inteligência artificial, mas não pretende percorrer esse caminho sozinho. O plano combina um supercomputador nacional, investimento público e cooperação com a China — justamente uma das potências que dominam o setor.

A principal aposta é uma máquina de R$ 1 bilhão, com capacidade de 7.200 petaflops, prevista para o Parque Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte. Segundo o governo, o equipamento deverá figurar entre os dez mais potentes do mundo e ajudar o país a deixar a posição de consumidor para se tornar desenvolvedor de IA.

A ambição contrasta com a dependência atual: 60% do processamento de inteligência artificial usado no Brasil ocorre no exterior. Para Lula, a nova infraestrutura pode segurar pesquisadores no país e mostrar que “os nossos acadêmicos e que a nossa juventude não devem nada a ninguém”.

Há também um contraste geográfico. O Rio Grande do Norte venceu a disputa com São Paulo e Campinas para receber o equipamento. Enquanto Lula vinculou a escolha à redução das desigualdades regionais, a ministra Luciana Santos destacou a oferta excedente de energia limpa no estado.

A busca por soberania, porém, será acompanhada por alianças externas. O governo prevê cooperação com a China para outra estrutura de supercomputação no Rio de Janeiro e uma parceria internacional para desenvolver chips com arquitetura aberta RISC-V. Também planeja criar uma solução brasileira de computação em nuvem, envolvendo empresas nacionais, BNDES, Serpro e ABDI.

O pacote integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado em 2024, com R$ 23 bilhões previstos; o governo afirma que 64% já foram executados. Ao resumir a estratégia, Lula rejeitou a ideia de inferioridade diante das duas grandes potências tecnológicas: “Nem chinês, nem americano é melhor do que nós. Vamos entrar nesse mercado.”

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