Move Brasil mira 88% do mercado, mas adesão ainda desafia o governo
Move Brasil mira 88% do mercado, mas adesão ainda desafia o governo
O Move Brasil ficou mais abrangente — e também mais caro. Ao elevar o teto dos veículos financiáveis de R$ 150 mil para R$ 200 mil, o governo tenta destravar um programa de crédito subsidiado que ainda não alcançou a adesão esperada.
A leitura mais crítica destaca justamente esse descompasso. Embora o programa ofereça até R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo, a procura e a participação das instituições financeiras avançaram abaixo da expectativa. Bancos públicos demonstraram maior envolvimento, enquanto os privados aderiram em ritmo menor. “Estamos sempre em contato para entender por que, mesmo com a garantia do governo, o Move Brasil não tem tido a adesão que a gente inicialmente esperava”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Na visão favorável à medida, porém, a nova faixa corrige uma limitação prática: poucos modelos cabiam no teto anterior. Segundo o governo, a mudança amplia a cobertura potencial de 63% para 88% dos veículos vendidos no país, com base nos emplacamentos de 2025, e permite financiar categorias com maior padrão de conforto. “A elevação do teto amplia o alcance potencial do critério econômico de cerca de 63% para 88% do mercado brasileiro de vendas automotivas”, informou o MDIC.
As novas regras também incluem mais configurações híbridas, combinando motores elétricos com propulsores movidos a álcool, gasolina ou ambos. O governo sustenta que esses modelos preservam os critérios de eficiência energética e podem consumir, em média, cerca de 24% menos energia do que versões convencionais equivalentes.
O contraste é claro: de um lado, o Planalto oferece mais opções e aposta nos híbridos para tornar o crédito atraente; de outro, permanecem barreiras de acesso e concessão. Motoristas de aplicativo precisam comprovar 12 meses de cadastro e 100 corridas na mesma plataforma, enquanto cada banco mantém autonomia para analisar o risco. O novo teto amplia a vitrine — agora será preciso convencer instituições e trabalhadores a entrar nela.
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