Adesivos eleitorais desencadeiam confronto na UFBA e versões opostas sobre quem intimidou quem
Adesivos eleitorais desencadeiam confronto na UFBA e versões opostas sobre quem intimidou quem
A retirada de adesivos eleitorais transformou uma visita do deputado estadual Diego Castro (PL) à Universidade Federal da Bahia em confronto físico, interrupção de atividades e uma disputa sobre os limites entre fiscalização política e autonomia universitária.
Castro foi à Faculdade de Comunicação, em Salvador, acompanhado de assessores e seguranças, após receber uma denúncia sobre materiais favoráveis ao presidente Lula e ao governador Jerônimo Rodrigues, ambos do PT. Vídeos registraram discussões, o deputado sendo empurrado e, depois, um integrante de sua equipe empurrando o presidente do centro acadêmico, Tobias Muniz, que ficou ferido. A UFBA repudiou os “atos de violência, intimidação e desrespeito” e afirmou que a confusão interrompeu a recepção de calouros.
Para o parlamentar, a questão central é o uso de um espaço público para propaganda eleitoral. “Universidade pública não é comitê eleitoral de Lula, de Jerônimo ou de partido nenhum”, declarou. Castro sustenta que retirou parte dos adesivos para questionar o uso político do campus e afirma que sua equipe apenas reagiu depois de ser cercada e agredida. “Eles tentaram nos acuar, mas não vamos aceitar intimidação”, disse.
A universidade apresenta a leitura oposta: considera que a entrada do grupo, sua postura e a presença de seguranças perturbaram a rotina acadêmica e intimidaram estudantes e servidores. O diretor da Facom, Washington Souza, disse ter tentado conversar com Castro sem sucesso e classificou como “inadmissível” a interrupção das atividades de ensino.
Os dois lados registraram boletins de ocorrência, mas os desdobramentos institucionais recaem principalmente sobre a conduta do deputado. A direção da faculdade procurou a Polícia Civil, a reitoria acionou a Polícia Federal e uma representação por possível quebra de decoro foi formalizada na Assembleia Legislativa da Bahia. A Casa ressaltou que a atuação de Castro não representa seu posicionamento institucional.
Assim, o episódio expõe duas versões inconciliáveis: Castro se apresenta como fiscal de uma possível irregularidade eleitoral; a UFBA vê uma ação política que ultrapassou a fiscalização e avançou sobre a segurança e a autonomia do campus.
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