Ultimato dos EUA ao Irã ameaça arrastar aliados para uma guerra econômica
Ultimato dos EUA ao Irã ameaça arrastar aliados para uma guerra econômica
Washington quer transformar a pressão sobre o Irã em um teste global de lealdade. Teerã responde elevando o alerta: o confronto, hoje militar e diplomático, pode atingir parceiros comerciais muito além do Oriente Médio.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o governo Donald Trump pretende impor ao Irã “o maior isolamento econômico coordenado da história mundial”. A ofensiva, ainda sem detalhes completos, foi apresentada como parte de um “Dia D Econômico” destinado a forçar Teerã a aceitar um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro.
A estratégia norte-americana combina sanções com um ultimato aos aliados. Segundo Bessent, países que continuarem transferindo dinheiro, comprando petróleo iraniano ou participando de operações marítimas ligadas ao comércio com o Irã poderão sofrer ações do Tesouro dos EUA. “Vocês estão conosco ou contra nós”, declarou. O plano detalhado deverá ser anunciado em entrevista coletiva na segunda-feira (24).
Do outro lado, o chanceler iraniano Abbas Araghchi descreveu o anúncio como “uma cortina de fumaça diante da própria crise dos Estados Unidos”. Também classificou a pressão como “terrorismo econômico” capaz de ameaçar a economia mundial. Enquanto Washington apresenta as medidas como instrumento para obter um acordo, Teerã as trata como coerção com consequências internacionais.
O Brasil pode ficar no meio desse choque. O comércio com o Irã cresceu 15% no primeiro semestre, segundo dados oficiais citados pela reportagem. Se os EUA condicionarem relações econômicas ao afastamento de Teerã, o governo Lula enfrentará uma escolha delicada entre preservar negócios e evitar atritos com Washington.
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