Lula aposta R$ 1 bilhão em supercomputador, mas soberania de IA passa pela China

O governo quer processar dados no Brasil, formar especialistas e criar modelos de IA em português. Enquanto aliados destacam autonomia tecnológica, a cobertura de oposição ressalta a parceria com gigantes chinesas.
Lula aposta R$ 1 bilhão em supercomputador, mas soberania de IA passa pela China

Lula aposta R$ 1 bilhão em supercomputador, mas soberania de IA passa pela China
Lula vende o novo supercomputador brasileiro como um salto de soberania tecnológica. O paradoxo é que parte dessa corrida para reduzir a dependência externa será disputada com tecnologia e empresas da China.

A cobertura pró-governo enfatiza a escala do investimento e seus efeitos nacionais. Prevista para Macaíba, no Rio Grande do Norte, a máquina custará pouco mais de R$ 1 bilhão, alcançará 7.200 petaflops e poderá ficar entre as dez mais potentes do planeta. Empresas, universidades e governos terão acesso à estrutura, enquanto o edital exigirá transferência de tecnologia e a capacitação de 5 mil brasileiros em cinco anos. “Sessenta por cento de tudo que é processado da inteligência brasileira é feito fora, e agora vamos poder processar aqui”, afirmou a ministra Luciana Santos.

Já uma leitura da oposição concentra-se na ambição política do projeto: transformar o Brasil de consumidor em desenvolvedor de IA, num mercado dominado por Estados Unidos e China. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê R$ 23 bilhões, dos quais 64% já teriam sido executados, segundo o governo. Lula resumiu o discurso competitivo: “Nem chinês, nem americano é melhor do que nós. Vamos entrar nesse mercado.”

A diferença aparece no enquadramento. De um lado, a escolha do Nordeste é apresentada como instrumento para reduzir desigualdades regionais e aproveitar a oferta de energia renovável. De outro, ganha destaque a cooperação com Huawei e iFlytek para instalar no Rio de Janeiro outra infraestrutura de supercomputação, desenvolver modelos em português e construir uma pilha de software nacional. Essa frente receberá R$ 1,276 bilhão em cinco anos e deve começar a operar em julho de 2027. Para o Executivo, “o conjunto das ações reforça a soberania nacional sobre os dados de serviços brasileiros públicos e privados”.

As perspectivas convergem no tamanho da aposta, mas divergem sobre sua principal marca: autonomia construída dentro do país ou soberania acelerada por parceiros estrangeiros.

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