Lula baixa o tom com Trump, mas mantém confronto sobre tarifas

Em uma ligação de 1h20, Lula contestou as tarifas dos EUA e abriu caminho para novas negociações. O diálogo também expôs divergências sobre crime organizado e contrastou com a retórica recente do presidente brasileiro.
Lula baixa o tom com Trump, mas mantém confronto sobre tarifas

Lula baixa o tom com Trump, mas mantém confronto sobre tarifas
Depois de meses de atrito entre Brasília e Washington, Lula e Donald Trump trocaram o confronto público por uma conversa longa e cordial. A trégua, porém, não apagou as divergências sobre comércio, segurança e política externa.

Segundo o Palácio do Planalto, o telefonema durou uma hora e vinte minutos. Lula classificou como “infundadas” as alegações usadas pelos Estados Unidos para tarifar produtos brasileiros — entre elas questões envolvendo desmatamento, Pix, etanol, propriedade intelectual e trabalho forçado. Também sustentou que as medidas prejudicam os dois países e que a negociação é “a melhor opção”. Trump, de acordo com o relato brasileiro, concordou em preservar vínculos comerciais fortes e sugeriu novas reuniões entre as equipes.

A cobertura alinhada ao governo apresenta a ligação como uma tentativa de reconstruir a relação bilateral sem abandonar a contestação às medidas americanas. Nessa leitura, há espaço para cautela: embora o Brasil tenha iniciado um processo de reciprocidade, integrantes do entorno de Lula não esperam que ele avance neste ano. As tarifas atingiriam 15% do volume exportado aos EUA em 2025, equivalente a US$ 5,8 bilhões.

Veículos de oposição também destacam a reabertura do diálogo, mas dão maior peso ao contraste político. O gesto conciliador destoa da postura combativa adotada por Lula ao defender a soberania brasileira e criticar integrantes do governo Trump, especialmente o secretário de Estado Marco Rubio. Além disso, até a publicação do relato brasileiro, Washington ainda não havia apresentado sua própria versão da conversa.

Na segurança pública, convergência e desacordo caminharam juntos. Lula ofereceu cooperação contra o crime organizado e citou a apreensão de cerca de R$ 17 bilhões, além do plano de converter 138 presídios em unidades de segurança máxima. Ao mesmo tempo, rejeitou equiparar facções a organizações terroristas — entendimento adotado pelos EUA. Trump teria aceitado ampliar a cooperação e mobilizar autoridades de alto escalão.

Os presidentes ainda defenderam uma saída negociada para a guerra entre Rússia e Ucrânia. A cordialidade abriu uma porta; tarifas e segurança dirão se ela permanecerá aberta.

https://resumosbrasil.com/stories/01a025fa-77d8-1c27-735c-08322eaf8380

Write a comment