Pró-governo diz que segurança clandestina transformou suspeita errada em linchamento em Copacabana
Pró-governo diz que segurança clandestina transformou suspeita errada em linchamento em Copacabana
Cláudio Rafael Landeiro saiu de casa com a bicicleta da irmã e acabou morto por uma suspeita sem fundamento. Agora, a investigação contrapõe responsabilidades individuais a uma questão mais ampla: a atuação de uma rede informal de segurança nas ruas de Copacabana.
Para a Polícia Civil, o episódio começou quando um segurança questionou Cláudio sobre a bicicleta. Com dificuldades de fala, ele não conseguiu explicar que o veículo pertencia à família. A abordagem escalou até agressões que o delegado Ângelo Lages definiu como “um homicídio triplamente qualificado com crueldade e motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima”. A polícia também apura se comerciantes podem ser responsabilizados por financiar o serviço clandestino.
A investigação individualiza quatro suspeitos. Os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias foram presos; os entregadores Ailton José da Silva, de 24 anos, e Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23, são considerados foragidos. Imagens mostram três homens agredindo e imobilizando Cláudio durante cerca de sete minutos. Antes de ser preso, Davi negou participação no espancamento e declarou: “Estou sendo acusado por uma coisa que não fiz”. Segundo a reportagem, porém, as gravações contrariaram essa versão.
A família rejeita qualquer dúvida sobre a origem da bicicleta. “Ele abordou meu irmão e supôs que ele era um ladrão”, afirmou Fabiana Landeiro, irmã da vítima. Em contraste com a explicação inicial dos envolvidos, vídeos mostram Cláudio saindo de casa empurrando o veículo.
O iFood, por sua vez, separou a conduta dos suspeitos da plataforma: excluiu os dois entregadores por violação de suas políticas contra a violência e afirmou colaborar com as autoridades. As defesas dos quatro homens não haviam sido localizadas, e o processo permanecia sob segredo de Justiça — deixando, por enquanto, a narrativa policial sem contraponto formal nos autos divulgados.
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