Oposição diz que mensagens colocam Lulinha no centro do lobby do canabidiol

A PF apura uma articulação para vender canabidiol ao governo e vê sinais de atuação coordenada. As defesas negam irregularidades, questionam os vazamentos, e o Ministério da Saúde afirma que a contratação nunca foi cogitada.
Oposição diz que mensagens colocam Lulinha no centro do lobby do canabidiol

Oposição diz que mensagens colocam Lulinha no centro do lobby do canabidiol
Mensagens recuperadas pela Polícia Federal alimentam a ofensiva da oposição contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. De um lado, investigadores examinam uma possível rede de influência; de outro, as defesas apontam exploração eleitoral de uma negociação que não avançou.

Nos diálogos, a lobista Roberta Luchsinger teria afirmado que ela e Lulinha eram “uma coisa só” nos negócios e mencionado uma “sociedade” com o filho do presidente e Fernando Bittar. A PF considera que as conversas podem indicar um “núcleo de atuação permanente e coordenada”, mas reconhece que as mensagens, isoladamente, não comprovam uma sociedade formal nem qualquer ilegalidade.

Uma das frentes envolve uma proposta para fornecer 1,2 milhão de frascos de canabidiol ao Ministério da Saúde, por R$ 626 milhões. Segundo a investigação, o grupo pretendia atender compras determinadas judicialmente. As defesas contrapõem que a minuta não teve andamento na pasta, que a viagem de Lulinha a Portugal teve motivação pessoal e que pagamentos recebidos por Roberta decorreram de consultorias legais.

O Ministério da Saúde reforça essa distância entre articulação privada e ação oficial: declarou que “nunca houve possibilidade de contratar canabidiol”, pois o produto não está incorporado ao SUS, e negou discussões para oferecê-lo na rede pública. A defesa de Lulinha, por sua vez, fala em “vazamento criminoso” destinado a influenciar o processo eleitoral; a de Roberta nega tráfico de influência e repasses ilegais.

Na oposição, a leitura é mais contundente. Enio Viterbo classificou a reportagem como “devastadora” e disse que Lulinha teria ajudado a montar o plano para regulamentar e vender o produto ao ministério. Eduardo Bolsonaro compartilhou uma publicação segundo a qual as “peças começam a se encaixar”, associando as revelações a uma imagem de 2023 no Planalto. Já Rodrigo Constantino destacou a reação do advogado de Lulinha, que acusa a PF de tentar vencer “no tapetão”.

O contraste permanece: a oposição trata os diálogos como sinal de acesso privilegiado; as defesas dizem que suspeitas e vazamentos estão sendo apresentados como provas. Caberá à investigação demonstrar se houve influência ilícita — ou apenas conversas sobre um negócio que jamais saiu do papel.

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