Pró-governo diz que Datafolha prova a resiliência de Lula sob pressão

Lula mantém a dianteira, mas a vantagem encolheu e o segundo turno está tecnicamente aberto. Petistas enxergam estabilidade; aliados de Flávio Bolsonaro apostam no desgaste do governo.
Pró-governo diz que Datafolha prova a resiliência de Lula sob pressão

Pró-governo diz que Datafolha prova a resiliência de Lula sob pressão
Lula continua na frente, mas já não corre sozinho. O novo Datafolha oferece alívio ao governo e combustível à oposição: a mesma fotografia eleitoral sustenta narrativas opostas sobre estabilidade e virada.

No primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Em uma disputa direta, o presidente marca 47% e o senador, 43% — diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Para os petistas, resistir foi a vitória possível após uma sequência de notícias sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva. Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha presidencial em São Paulo e advogado do filho de Lula, classificou o resultado como “excepcional” diante do que chamou de “ataques orquestrados”. Já o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o levantamento revela “um quadro de estabilidade”, com Lula ainda favorito.

A campanha de Flávio lê os mesmos números pelo avesso. Seus aliados destacam a redução da distância no primeiro turno, dizem que Lula atingiu um teto e apresentam o senador como o único nome capaz de derrotá-lo. O deputado Carlos Jordy foi mais incisivo: “O Lula está derretendo, o caso Lulinha está nos ajudando e a gente vai vencer essa eleição”.

Há sinais para os dois lados. A intenção de voto de Lula pouco mudou, mas a avaliação ruim ou péssima do governo subiu de 38% para 41%, enquanto a desaprovação chegou a 50%. Isso sugere desgaste sem transferência expressiva de votos, ao menos por enquanto. Dois líderes do centrão ouvidos pela Folha também viram resiliência do presidente, embora avaliem que o caso possa impedir uma vitória no primeiro turno.

O eleitorado permanece profundamente dividido: Lula lidera entre mulheres, católicos e famílias com renda de até dois salários mínimos; Flávio tem vantagem entre evangélicos e nas faixas de renda mais altas. Nas redes, a polarização aparece em manifestações de rejeição pessoal a Lula, como a publicada por Rodrigo Constantino em resposta a uma pergunta sobre seus motivos de voto.

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