Oposição diz que juros altos e gestão lenta empurraram Casas Bahia para recuperação judicial

Com dívida de R$ 17,3 bilhões, a varejista tenta trocar expansão por rentabilidade. Especialistas dividem o peso da crise entre o choque dos juros, mudanças no consumo e falhas de adaptação.
Oposição diz que juros altos e gestão lenta empurraram Casas Bahia para recuperação judicial

Oposição diz que juros altos e gestão lenta empurraram Casas Bahia para recuperação judicial
A Casas Bahia chegou à recuperação judicial espremida por duas forças: o crédito caro, que atingiu o coração de seu modelo, e uma transformação do varejo à qual a companhia teria reagido tarde demais. Agora, a rede aposta em uma operação menor para tentar sobreviver.

O pedido foi apresentado em 16 de agosto de 2026, após prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e a formação de um passivo de R$ 17,3 bilhões. A resposta inclui fechar 298 lojas, cortar despesas e abandonar a busca por volume de vendas sem retorno adequado. A recuperação, porém, ainda depende da aprovação judicial e da manutenção do fornecimento de produtos.

Na leitura financeira, a disparada dos juros — de 2% para 15% — tornou insustentável uma operação fortemente dependente de financiamento. Ao mesmo tempo, o endividamento recorde das famílias reduziu o poder de compra do público tradicional da rede. Para o consultor Alberto Serrentino, houve uma “incompatibilidade de alavancagem” entre o custo de rolar as dívidas e a capacidade de geração de caixa.

A avaliação operacional é mais dura. Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, afirma que “só os fatores externos não explicam” a crise e atribui parte da responsabilidade às administrações recentes, que não teriam deixado a empresa mais leve. Enquanto marketplaces facilitaram a comparação de preços e rivais regionais responderam rapidamente às preferências locais, a Casas Bahia continuou carregando uma estrutura física ampla e cara.

A companhia contrapõe a esse diagnóstico um plano centrado em disciplina financeira. Nos canais digitais, diz que priorizará “margem, geração de caixa e retorno sobre o capital empregado”, colocando “caixa e rentabilidade sobre volume”. Especialistas, contudo, alertam que o ajuste precisa ser veloz: sem fornecedores, vendas e clientes, a varejista pode entrar em uma “espiral perigosa”.

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