Pró-governo diz que corrida contra o tempo pode dar a Lito Sousa sua única chance

Enquanto a família pressiona por uma vaga em estudos experimentais, pesquisadores e empresas alertam que os tratamentos ainda precisam comprovar segurança e eficácia em humanos.
Pró-governo diz que corrida contra o tempo pode dar a Lito Sousa sua única chance

Pró-governo diz que corrida contra o tempo pode dar a Lito Sousa sua única chance
A família de Lito Sousa trava uma corrida pública contra o avanço da doença de Creutzfeldt-Jakob: de um lado, a urgência de tentar qualquer possibilidade; do outro, estudos clínicos pequenos, critérios rígidos e medicamentos ainda sem eficácia comprovada.

Mila Seidl afirma que o marido, de 59 anos, perdeu movimentos e parte da visão, embora permaneça lúcido. Diante da rápida deterioração, ela pediu apoio ao Ministério da Saúde e às instituições responsáveis pelas pesquisas. “Eu entendo a ciência e sempre apoiei a ciência, mas o meu amor vai lutar até o final para eu conseguir um espaço para o Lito”, declarou.

A esperança científica existe, mas vem acompanhada de cautela. Um estudo ligado a Harvard, ao Instituto Broad e à Universidade de Massachusetts testa um siRNA destinado a reduzir a produção da proteína priônica. Em animais, uma dose diminuiu essa proteína em 49% e ampliou a sobrevivência em 64%. O pesquisador Eric Minikel, porém, ressalta que levar a terapia a humanos “é apenas o começo do aprendizado sobre a segurança e a atividade desse medicamento”.

Outra frente envolve o ION717, da Ionis Pharmaceuticals. Dados preliminares foram considerados encorajadores, mas a empresa adverte que ainda não é possível afirmar que o composto seja eficaz, seguro e tolerável. Lito continua sem vaga, enquanto brasileiros inundam as redes da farmacêutica com pedidos para que seu caso seja analisado.

A família reconhece os limites dos protocolos, mas argumenta que a notoriedade do influenciador poderia também ampliar a atenção sobre uma doença rara. “Eu tenho 0% de chance, mas se eu tiver 1% de chance em qualquer lugar, a gente quer esse 1%”, resumiu Mila.

A mobilização mistura pressão pública, solidariedade e oração. Allan dos Santos classificou o diagnóstico como “uma notícia muito triste” e pediu apoio à família. O contraste permanece: para os familiares, cada minuto perdido reduz uma chance já mínima; para a pesquisa, abrir uma exceção não elimina as incertezas clínicas.

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