Lito corre contra o tempo enquanto a vaga experimental não chega

Com uma doença priônica rara e agressiva, Lito Sousa tenta entrar em estudos no exterior. A família pressiona por acesso imediato, enquanto o governo admite que o Brasil não oferece pesquisas ou medicamentos disponíveis.
Lito corre contra o tempo enquanto a vaga experimental não chega

Lito corre contra o tempo enquanto a vaga experimental não chega
A lucidez de Lito Sousa permanece preservada, mas seu corpo perde funções rapidamente. É essa corrida desigual que empurra a família do influenciador a buscar no exterior uma terapia ainda experimental para a doença de Creutzfeldt-Jakob.

Internado no Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, Lito apresenta dificuldades motoras e perda parcial da visão. Ele está inscrito na lista de espera de um estudo ligado a Harvard, cuja admissão de novos pacientes está pausada. Enquanto aguarda, a família procura alternativas na Ionis Pharmaceuticals, no Instituto Broad e na Mayo Clinic.

Uma das terapias usa RNA de interferência para bloquear as instruções celulares que levam à produção de príons, proteínas anormais que se acumulam no cérebro. Em animais, a estratégia reduziu essas proteínas e ampliou a sobrevida; outra linha, baseada em edição genética, também obteve resultados promissores em camundongos, mas ainda está distante dos testes em humanos.

A ciência avança com cautela; a doença, não. “A gente já recebeu uma resposta de Harvard […] que eles estão fechados no momento e vão abrir para admissão de novos pacientes em 20 de outubro. Então a gente está na lista de espera”, relatou Mila Seidl, esposa de Lito. Segundo ela, a piora da visão ocorreu em questão de dias.

Mila também rebate críticas de que a mobilização tentaria privilegiar o influenciador. “Não existe fila. O estudo não admite mais pessoas.” Para ela, incluir um único brasileiro poderia ser decisivo diante da raridade do quadro. “Tenho duas opções: velar o meu marido ou lutar por ele. Eu decidi lutar.”

Do lado do governo, a resposta ainda é limitada. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou: “Estamos em contato”. A família diz ter procurado a pasta, mas foi informada de que não há estudos em andamento nem medicamentos disponíveis no Brasil.

Nas redes, a pressão institucional se mistura à solidariedade. Allan dos Santos classificou o diagnóstico como “uma notícia muito triste” e pediu orações por Lito e sua família. O apoio, porém, não resolve o principal choque: os protocolos de pesquisa trabalham em anos; Lito e Mila contam semanas.

https://resumosbrasil.com/stories/01a03192-6830-27c4-7043-051df30be759

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