Canadá desafia Trump e promete retaliação dólar por dólar
Canadá desafia Trump e promete retaliação dólar por dólar
A fronteira comercial mais movimentada da América do Norte virou uma linha de confronto. De um lado, Washington aposta que sua força econômica obrigará o Canadá a recuar; do outro, Ottawa diz que ceder agora comprometeria sua soberania.
Após o fracasso das negociações, os Estados Unidos elevaram para 50% as tarifas sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses — o equivalente a 5,5% das exportações do país aos EUA. O secretário de Transportes americano, Sean Duffy, classificou como “insensatez” imaginar que o Canadá possa vencer a disputa e previu que o impacto será “devastador”. Cerca de 70% das exportações canadenses têm o mercado americano como destino.
Donald Trump reforçou a pressão com um ataque político: “O Canadá quer os benefícios de ser um estado, sem ser um!!!” O presidente também acusou Ottawa de impor tarifas excessivas aos agricultores americanos. A Casa Branca, por sua vez, sustenta que bebidas, automóveis e laticínios dos EUA recebem tratamento discriminatório no mercado canadense.
Mark Carney apresenta a disputa por outra lente. O primeiro-ministro afirma ter abandonado um “mau acordo” depois que Washington incluiu exigências de última hora capazes de limitar futuros tratados comerciais canadenses e afetar setores estratégicos. “Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados”, declarou. Sua resposta será “dólar por dólar”: a partir de 8 de setembro, tarifas canadenses atingirão aço, laticínios, eletrodomésticos, máquinas agrícolas, papel e eletrônicos dos EUA.
A firmeza aproximou adversários internos. O conservador Pierre Poilievre apoiou Carney e pediu união contra o tarifaço; a primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, concordou com o abandono das conversas, mas criticou a retaliação.
O consenso político, contudo, não elimina a conta econômica. O Royal Bank of Canada estima perda de cerca de 0,4 ponto percentual do PIB canadense, enquanto empresários temem menos investimentos. Nos EUA, Mike Pence advertiu que a guerra comercial acrescenta riscos a uma economia já pressionada pela alta dos preços. Washington e Ottawa divergem sobre quem cederá primeiro, mas concordam, na prática, que o choque terá custos dos dois lados.
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