Morte após cirurgia de R$ 118 mil opõe denúncia da família à versão do hospital

Familiares dizem que alertas respiratórios foram subestimados após uma longa operação em Goiânia. Hospital afirma ter adotado as medidas necessárias, enquanto o caso segue sob pedido de investigação.
Morte após cirurgia de R$ 118 mil opõe denúncia da família à versão do hospital

Morte após cirurgia de R$ 118 mil opõe denúncia da família à versão do hospital
Uma cirurgia estética planejada durante dois anos terminou em morte poucas horas depois — e agora duas versões inconciliáveis disputam o que aconteceu no pós-operatório de Andreia Vieira Gaspar, em Goiânia.

A empresária, que vivia na Espanha, passou em 11 de agosto por procedimentos no rosto e no corpo que custaram R$ 118 mil e duraram cerca de oito horas. Segundo a família, ela encontrou o cirurgião presencialmente apenas no dia da operação, apesar de exames anteriores indicarem anticorpos associados a possíveis processos infecciosos ou inflamatórios.

Depois da cirurgia, Andreia foi encaminhada a um quarto comum. A irmã, Djiane Vieira, relata que ela apresentava língua muito inchada, dificuldade para respirar, secreções e sensação de sufocamento. A família sustenta que os sinais foram tratados como reações normais do pós-operatório e que os pedidos de ajuda não provocaram uma resposta rápida. “O que houve com a Andreia foi negligência”, afirmou Djiane.

Andreia sofreu uma parada cardiorrespiratória por volta das 2h15 de 12 de agosto. A morte foi declarada às 4h15. A representação apresentada ao Ministério Público de Goiás pede investigação criminal, preservação de provas e perícia médico-legal independente para esclarecer a causa do óbito e uma eventual relação com os procedimentos.

O hospital oferece uma leitura oposta. Sua defesa afirma que as equipes médica e de enfermagem adotaram “as medidas necessárias diante do quadro apresentado” e que os registros estão documentados no prontuário. A instituição também diz estar disponível para colaborar com a apuração.

Já o cirurgião lamentou a morte, mas informou que não comentará detalhes clínicos por causa do sigilo médico. Sua defesa sustenta que ele possui qualificação compatível com as cirurgias realizadas. Entre a acusação de demora e a alegação de atendimento adequado, a resposta decisiva dependerá agora das perícias e das autoridades.

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