Pró-governo diz que laudo expõe a violência fatal contra Cláudio Rafael

A perícia atribui a morte a traumatismo craniano e hemorragia interna após 63 golpes. Enquanto a família cobra justiça, depoimentos dos investigados apresentam versões distintas sobre a abordagem e as agressões.
Pró-governo diz que laudo expõe a violência fatal contra Cláudio Rafael

Pró-governo diz que laudo expõe a violência fatal contra Cláudio Rafael
Uma suspeita sem provas virou uma perseguição fatal em Copacabana. Agora, o laudo pericial, as imagens e os depoimentos confrontam a versão de uma ação “por instinto” com o relato de nove minutos de agressões contra um homem que não reagiu.

A necropsia concluiu que Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, morreu por traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna, com lesões no baço e no rim esquerdo. A análise das imagens contabilizou 63 golpes em quatro etapas; segundo a investigação, Cláudio foi confundido com um ladrão quando usava a bicicleta da própria irmã.

A polícia descreve uma escalada coordenada: questionamento sobre a bicicleta, troca de mensagens sobre um suposto furto, perseguição e, por fim, o espancamento. O delegado Ângelo Lages resumiu a cena como uma “sessão ali de linchamento por quase nove minutos”. Em contraste com a violência registrada, as imagens mostram Cláudio calmo, tentando se proteger e sem revidar. Para a irmã, Fabiana Landeiro Hansen, não há espaço para justificativas: “Justiça com as próprias mãos, isso não existe. O trabalho é da polícia e ponto”.

Davi Santos Machado, apontado como autor de vários golpes com um porrete, apresentou versões diferentes. Primeiro, negou participação direta; depois, admitiu ter golpeado a cabeça da vítima em um “ato insano” e disse ter agido por “instinto”, embora reconhecesse que não havia informação concreta de roubo. Também afirmou estar arrependido.

Já Jorge Luiz Ricardo Dias negou ter agredido Cláudio e declarou que tentou conter Davi. Seu relato, porém, também revela omissão: embora dissesse ter visto a vítima caída e sem reação, não chamou a polícia nem o socorro. Os quatro investigados tiveram as prisões mantidas e foram indiciados por homicídio triplamente qualificado; a polícia ainda apura a participação de uma quinta pessoa.

Entre a defesa individual de cada envolvido e a leitura conjunta das imagens, a diferença central é clara: os depoimentos fragmentam responsabilidades; a perícia e a investigação reconstroem uma sequência contínua de violência. A família promete acompanhar o processo até o fim para impedir que o caso seja esquecido.

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