Dino libera provas e cerco sobre dinheiro público no filme de Bolsonaro aumenta

A PF poderá cruzar provas de uma investigação paulista com a apuração sobre emendas destinadas a entidades ligadas a “Dark Horse”. Aliados negam uso irregular, enquanto as versões sobre o financiamento do filme entram em choque.
Dino libera provas e cerco sobre dinheiro público no filme de Bolsonaro aumenta

Dino libera provas e cerco sobre dinheiro público no filme de Bolsonaro aumenta
A decisão de Flávio Dino não conclui que dinheiro público bancou “Dark Horse”, mas aproxima duas investigações que até agora percorriam caminhos distintos. No centro do cruzamento estão uma produtora, uma ONG e milhões de reais cuja destinação ainda precisa ser esclarecida.

Na cobertura de oposição, o episódio ganhou contorno de ofensiva política: um dos títulos afirma que “Dino age contra filme sobre Bolsonaro”. O conteúdo da decisão, porém, é mais delimitado. O ministro do STF autorizou a Polícia Federal a acessar dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em endereços ligados à Go Up Entertainment, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Karina Ferreira da Gama, responsável pelas duas entidades.

As apurações não tratam exatamente do mesmo objeto. A investigação paulista examina suspeitas de fraude e desvio em um contrato do ICB com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de wi-fi. A PF, por sua vez, busca verificar se emendas destinadas a entidades relacionadas ao projeto cinematográfico acabaram financiando o longa.

O elo mais visível é o deputado Mário Frias, que destinou R$ 2 milhões ao ICB em 2024. Ele sustenta que os recursos foram aplicados em “projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais” e afirma que “não há um único centavo” do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no filme. Frias também já declarou que suas emendas não foram direcionadas à produção.

Essa versão contrasta com a declaração atribuída a Karina de que Vorcaro bancou mais de 90% do orçamento já realizado de “Dark Horse”, estimado em US$ 13 milhões. Ainda assim, os pagamentos do ex-banqueiro pertencem a outra frente investigativa, sob relatoria de André Mendonça; a apuração de Dino está concentrada nas emendas parlamentares.

Assim, as leituras divergem no tom — perseguição ao filme para uns, rastreamento de recursos públicos para outros —, mas convergem no fato central: a autorização amplia o material disponível à PF, sem antecipar culpa ou provar que verbas públicas chegaram à tela.

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