Ancine abre caminho para filme sobre Bolsonaro em meio a investigações
Ancine abre caminho para filme sobre Bolsonaro em meio a investigações
A Ancine abriu a primeira porta para a exibição de “Dark Horse” no Brasil, mas o filme sobre Jair Bolsonaro ainda está longe das salas de cinema. De um lado, há um procedimento administrativo preliminar; do outro, uma cadeia de investigações sobre dinheiro, produção e possíveis recursos públicos.
As duas perspectivas convergem no ponto central: o registro de obra estrangeira não equivale a uma autorização definitiva. O longa, classificado como ficção e com 1h40 de duração, ainda precisa do Certificado de Registro de Título para exploração comercial. Segundo uma das reportagens, a produção deve chegar ao país como “O Azarão”, embora não exista data de lançamento. O texto afirma que o registro foi concedido em 7 de agosto, após pedidos ligados primeiro à Unifilmes e depois à Europa Filmes.
Essa versão enfatiza o rastro financeiro. A Polícia Federal investiga ao menos R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para custear a obra, além de um possível desvio de emendas parlamentares. Parlamentares citados no caso negam irregularidades. A produtora Karina Ferreira da Gama também aparece em outra investigação, relacionada a um contrato para instalação de pontos de wi-fi em São Paulo.
Já a reportagem de oposição apresenta uma cronologia diferente: atribui à Europa Filmes um pedido protocolado em 22 de junho e diz que a etapa preliminar levou cerca de dois meses. O foco recai sobre a fiscalização: a PF deu dez dias para a Ancine identificar empresas e pessoas vinculadas ao projeto e informar se houve incentivos fiscais ou recursos federais.
A mesma fonte destaca um processo administrativo contra a Go Up Entertainment. Em nota, a Ancine afirmou que produções estrangeiras filmadas no país precisam ser comunicadas previamente — “situação que não ocorreu no caso do filme ‘Dark Horse’”.
O contraste está menos no resultado do registro do que no seu significado político. Para ambos os relatos, a burocracia avançou; as dúvidas sobre quem financiou, produziu e regularizou o filme, porém, continuam abertas.
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