Fim da escala 6x1 avança, mas eleição vira campo de batalha no Senado
Fim da escala 6x1 avança, mas eleição vira campo de batalha no Senado
A PEC que acaba com a escala 6x1 ganhou velocidade no Senado, mas entrou de vez na disputa eleitoral. Enquanto o governo tenta transformar a redução da jornada em vitória imediata, a oposição trabalha para empurrar a decisão para depois das urnas.
Relator na Comissão de Constituição e Justiça, Omar Aziz afirma enxergar apoio suficiente para uma aprovação folgada: “Eu acredito em termos acima de 65 votos a favor”. O senador também diz não ter recebido manifestações contrárias de colegas, embora entidades empresariais tenham pedido reuniões para discutir a transição em setores como comércio e serviços.
A pressa governista tem data marcada. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, prevê votação na CCJ em 2 de setembro e quer levar a matéria rapidamente ao plenário. Para ele, o fim da escala representaria “a maior conquista desde a Constituição de 1988” para os trabalhadores.
O calendário, porém, concentra a divergência política. Aliados do Planalto querem aproveitar a curta semana de votações anterior ao pleito; a oposição ligada a Flávio Bolsonaro prefere decidir depois da eleição e defende um modelo baseado na livre negociação entre patrões e empregados, com pagamento por hora. Lula reagiu apresentando a mudança como uma pauta familiar: “O povo trabalhador que movimenta este país merece ter mais tempo para o lazer, para cuidar da saúde e para acompanhar o crescimento dos filhos”.
Também há disputa sobre o significado do avanço. Para o governo, trata-se de uma prioridade social represada desde maio. Na leitura crítica, a retomada ocorre em plena campanha de reeleição de Lula, que incorporou o fim da 6x1 ao programa eleitoral. A proposta reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas, assegura dois dias de descanso remunerado e preserva salários.
Aziz ainda precisa decidir se manterá integralmente o texto da Câmara. Alterações substanciais devolveriam a PEC aos deputados; uma aprovação sem mudanças abriria caminho para a promulgação — exatamente por isso, conteúdo e relógio tornaram-se inseparáveis.
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