Pró-governo diz que futuro da SAF do Vasco está nas mãos da Justiça
Pró-governo diz que futuro da SAF do Vasco está nas mãos da Justiça
O Vasco vê a venda de sua SAF como saída para uma crise financeira prolongada. Mas o negócio que promete reorganizar o clube também concentra dúvidas jurídicas, regulatórias e societárias capazes de atrasar — ou remodelar — a operação.
De um lado, o clube e Marcos Lamacchia sustentam que falta apenas a autorização da 4ª Vara Empresarial do Rio para abrir o processo competitivo. “A gente está esperando a Justiça liberar o leilão para podermos transformar o Vasco”, afirmou o empresário. A proposta de sua Almirante Participações será o lance mínimo; concorrentes poderão oferecer mais, mas Lamacchia terá o direito de igualar a maior oferta. Mesmo vencedor, ainda dependerá do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral do Vasco.
Do outro, a demora judicial reflete preocupações que vão além do preço. Os empréstimos da Crefisa e da Almirante ao clube são permitidos na recuperação judicial, mas podem elevar a barreira para rivais: um terceiro interessado teria de superar a oferta, escapar do direito de cobertura de Lamacchia e restituir os valores já emprestados. Ao rejeitar um novo crédito de R$ 150 milhões, a juíza Simone Chevrand avaliou que o total de R$ 270 milhões poderia praticamente eliminar a concorrência e configurar uma venda disfarçada.
Há ainda o possível conflito de interesses decorrente do vínculo familiar entre Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A agência responsável pelas normas de sustentabilidade financeira terá de decidir se existe influência sobre dois clubes da mesma divisão. Para o advogado Marco Antônio Dias, esse é “o maior calcanhar de Aquiles desta situação”; uma saída possível seria afastar o comprador da gestão por meio de um blind trust.
Por fim, a 777 Partners conserva 31% da atual SAF e ameaça contestar a transferência dos ativos para uma nova empresa. Assim, Vasco e Lamacchia tratam a autorização judicial como o último sinal verde; os críticos enxergam nela apenas o começo de uma disputa mais ampla.
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