Zema promete anistia, mas dívida mineira e checagens pressionam seu discurso

Na sabatina da Globo, o candidato defendeu medidas duras na segurança e uma agenda econômica liberal. Dados sobre Minas e verificações posteriores, porém, colocaram parte de suas afirmações sob escrutínio.
Zema promete anistia, mas dívida mineira e checagens pressionam seu discurso

Zema promete anistia, mas dívida mineira e checagens pressionam seu discurso
Romeu Zema abriu a série de sabatinas presidenciais da Globo tentando projetar firmeza na segurança e austeridade na economia. A entrevista, porém, expôs o contraste entre a narrativa do candidato e os números usados para contestá-la.

Sobre o 8 de janeiro, Zema prometeu anistia a Jair Bolsonaro e classificou o processo como político. “Não existe na história da humanidade uma tentativa de golpe que tenha sido um movimento de vandalismo como o de janeiro de 2023”, afirmou, defendendo que os envolvidos respondessem por depredação e vandalismo. A posição separa responsabilidade patrimonial de tentativa de ruptura institucional e deve alimentar uma das disputas mais sensíveis da campanha.

Na economia, o principal choque veio da dívida mineira. Questionado sobre o salto do passivo estadual, Zema atribuiu o crescimento a administrações anteriores e aos “juros de agiota cobrados pelo governo federal”. Dados da Fazenda mineira citados na entrevista mostram, contudo, que a dívida pública chegou a R$ 201,09 bilhões em novembro de 2025, ante R$ 114,7 bilhões em janeiro de 2019.

A checagem posterior também relativizou a vitrine fiscal apresentada pelo candidato. Zema disse ter recebido Minas com déficit de R$ 11 bilhões e deixado superávit de R$ 5 bilhões; o Fato ou Fake apontou que o último ano completo de sua gestão terminou com saldo positivo de R$ 1,1 bilhão, enquanto os R$ 5,1 bilhões mencionados eram de 2024 e foram impulsionados por receitas extraordinárias.

Na segurança, Zema voltou-se ao modelo de Nayib Bukele, afirmando que a experiência de El Salvador poderia ser adaptada ao Brasil e resumindo sua linha com a frase: “Para mim, bandido é atrás das grades.” Já na renda e na Previdência, adotou cautela: garantiu apenas a reposição da inflação no salário mínimo e condicionou ganhos reais ao desempenho econômico; também disse que, “por ora”, não elevaria a idade mínima de aposentadoria.

O resultado foi uma candidatura apresentada em dois registros: incisiva em anistia e segurança, mas defensiva quando confrontada com o legado fiscal e a precisão de suas próprias estatísticas.

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