Pró-governo diz que saída da Häagen-Dazs expõe paradoxo no mercado brasileiro
Pró-governo diz que saída da Häagen-Dazs expõe paradoxo no mercado brasileiro
A Häagen-Dazs deixará o Brasil após 29 anos justamente quando o mercado de sorvetes premium avança em ritmo acelerado. De um lado, a General Mills fala em estratégia global; do outro, especialistas enxergam uma operação pressionada por câmbio, logística e concorrência local.
A explicação oficial é enxuta. “A marca Häagen-Dazs não será mais distribuída no Brasil, devido a um plano de reformulação de portfólio da General Mills, anunciado em março de 2026”, informou a companhia, sem detalhar as razões específicas para encerrar a distribuição. A decisão sucede a venda das marcas Yoki e Kitano à 3corações por R$ 800 milhões e faz parte de uma reorganização mais ampla dos negócios brasileiros.
O contraste está nos números. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes, mais de 11 mil empresas do segmento faturam, juntas, acima de R$ 14 bilhões por ano. Fernando Cardoso, da consultoria Gouvêa Foodservice, afirma que as vendas globais de sorvetes crescem 4% ao ano, enquanto a categoria premium avança entre 8% e 10% — e o Brasil supera essa média.
Para o consultor, porém, crescimento não garante viabilidade para qualquer operação. Como os produtos da Häagen-Dazs são importados, a marca fica exposta ao câmbio, às tarifas e a uma cadeia refrigerada complexa. “Isso mina a competitividade de um negócio que, adiante, teria capacidade de voltar ao país, mas em outros termos”, avaliou Cardoso.
Entre consumidores, a leitura é menos financeira e mais afetiva. “Revejam a estratégia! Pelo amor de Deus, parar de oferecer sorvete em um país como o Brasil é um absurdo”, escreveu uma pessoa na última publicação da marca no Instagram. Outra lamentou a perda de “um dos únicos do mercado que são sorvetes de verdade”.
A saída encerra uma trajetória iniciada em 1997. As lojas próprias já haviam fechado em 2018, mas potes, copos e picolés continuaram no varejo. Agora, mesmo com a expansão do segmento premium, a conta global da General Mills falou mais alto que o apetite brasileiro.
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