Ligação destrava diálogo, mas Brasil prevê batalha longa contra tarifaço dos EUA

Brasília e Washington retomam na segunda-feira as negociações comerciais. Governo e oposição veem avanço no contato entre Lula e Trump, mas ainda há dúvidas sobre a disposição americana de reduzir as tarifas.
Ligação destrava diálogo, mas Brasil prevê batalha longa contra tarifaço dos EUA

Ligação destrava diálogo, mas Brasil prevê batalha longa contra tarifaço dos EUA
A ligação entre Lula e Donald Trump rompeu o silêncio entre Brasil e Estados Unidos, mas ainda não derrubou nenhuma tarifa. A reunião técnica marcada para segunda-feira testará se a reabertura do diálogo produzirá concessões — ou apenas prolongará o impasse.

Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, e Jamieson Greer, representante comercial americano, conversarão virtualmente às 14h30. Segundo a leitura pró-governo, a iniciativa partiu de Washington: Greer teria procurado Rosa depois de Trump defender que as equipes retomassem o contato “o mais rápido possível”. Brasília mantém expectativas baixas sobre uma redução imediata, embora considere a reabertura do canal “frutífera” diante da imprevisibilidade da Casa Branca.

Outra avaliação próxima ao governo destaca que a reunião foi acertada no telefonema de uma hora e 20 minutos entre os presidentes. Essa perspectiva, porém, acrescenta um sinal de alerta: Trump teria parecido “desinformado” sobre argumentos usados para justificar o tarifaço e sobre pendências diplomáticas entre os países.

Na oposição, o telefonema é tratado como o “primeiro efeito concreto” da iniciativa de Lula. O contraste está menos nos fatos do que na ênfase: enquanto governistas celebram prudentemente a retomada, essa leitura ressalta que o contato presidencial conseguiu destravar o que mais de 30 conversas anteriores entre autoridades não haviam feito avançar.

As três perspectivas convergem em um ponto: a reunião abre uma porta, mas não garante acordo. O objetivo imediato de Brasília é aumentar a lista de produtos isentos; depois, tentar reverter as medidas. Setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar continuam expostos às cobranças mais altas, enquanto integrantes do governo consideram improvável uma negociação exclusivamente brasileira sobre a tarifa adicional de 12,5%.

A conversa de segunda-feira mostrará se Trump adotará uma linha mais flexível que a de sua equipe. Por enquanto, há movimento diplomático — não alívio comercial.

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