A oposição diz que filme sobre Bolsonaro avança nos cinemas cercado por investigações

O registro da Ancine abre a primeira porta para “Dark Horse”, mas não autoriza sua estreia. Financiamento, filmagens e possíveis recursos públicos continuam sob investigação, enquanto envolvidos negam irregularidades.
A oposição diz que filme sobre Bolsonaro avança nos cinemas cercado por investigações

A oposição diz que filme sobre Bolsonaro avança nos cinemas cercado por investigações
O filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro deu seu primeiro passo formal rumo aos cinemas brasileiros — mas o avanço regulatório ocorre sob uma nuvem de investigações sobre dinheiro, contratos e gravações feitas no país.

A Ancine concedeu em 7 de agosto de 2026 o Registro de Obra Estrangeira (ROE) a Dark Horse. É uma etapa obrigatória, não um sinal verde definitivo: o longa ainda precisa do Certificado de Registro de Título, da comprovação dos direitos comerciais e da classificação indicativa. Como resume uma das reportagens, o registro “não significa que o filme já esteja autorizado a ser lançado nos cinemas”.

De um lado, a Europa Filmes planeja uma estreia ampla, em pelo menos 650 salas, com cópias dubladas e lançamento somente depois das eleições, a partir de novembro. De outro, a Polícia Federal cobrou da Ancine informações sobre produtores, distribuidores, representantes legais e eventuais incentivos fiscais ou repasses públicos. A agência também abriu processo administrativo contra a Go Up Entertainment por supostas filmagens no Brasil sem a documentação exigida; uma infração confirmada pode gerar multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil.

As apurações seguem uma trilha diferente da análise burocrática da Ancine. O STF autorizou investigação sobre repasses atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto mensagens divulgadas pela imprensa indicariam uma cobrança de recursos feita pelo senador Flávio Bolsonaro. Outra frente procura saber se emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora Karina Ferreira da Gama chegaram ao filme.

Os envolvidos rejeitam essa interpretação. Mario Frias, produtor-executivo da obra, afirma que os R$ 2 milhões destinados por ele ao Instituto Conhecer Brasil não financiaram o longa; Karina também nega o uso de recursos públicos ou de empresas brasileiras. Assim, o contraste permanece: para a distribuição, o registro abre caminho; para os investigadores, ele acrescenta documentos e nomes a uma apuração ainda longe do fim.

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