Marretadas em memorial expõem choque dentro de Israel

Zvi Sukkot alegou ter agido contra uma homenagem a “terroristas”, mas Exército e Netanyahu condenaram a iniciativa. Para moradores de Madama, o monumento preservava décadas de perdas palestinas.
Marretadas em memorial expõem choque dentro de Israel

Marretadas em memorial expõem choque dentro de Israel
Um memorial palestino foi reduzido a escombros — e a ação abriu uma rara fissura pública entre um deputado israelense, as Forças Armadas e o próprio primeiro-ministro. No centro da disputa estão duas leituras inconciliáveis: homenagem histórica para uns, exaltação do terrorismo para outros.

Zvi Sukkot chegou à aldeia de Madama, no norte da Cisjordânia ocupada, acompanhado por assistentes e sob escolta militar. Depois, publicou imagens nas quais aparece golpeando o monumento com uma marreta. O deputado justificou a iniciativa como resposta à inação do Exército: “Há alguns dias, exigi que o Exército tomasse medidas para remover os monumentos que homenageiam terroristas […] Infelizmente, eles permaneceram de pé. Então, fui até lá pessoalmente e os derrubei”.

A versão militar foi frontalmente oposta. Segundo as Forças Armadas israelenses, soldados foram desviados de funções operacionais para garantir a segurança de uma visita previamente coordenada — não para acompanhar uma demolição. A instituição afirmou que Sukkot e seus assistentes agiram “de forma enganosa e manipuladora, sem autorização” e que foram retirados rapidamente da aldeia. Benjamin Netanyahu também reprovou o episódio: “Fazer justiça com as próprias mãos, especialmente quando envolve figuras públicas, é uma prática repreensível”.

Para Sukkot, portanto, as marretadas corrigiram uma omissão institucional. Para o Exército e Netanyahu, ultrapassaram os limites da autoridade pública. Já em Madama, a controvérsia não é apenas política: é também uma disputa pela memória.

Rami Nassar, chefe do conselho local, disse que o memorial reunia nomes de mortos desde uma batalha em 1968, passando pela Primeira e pela Segunda Intifadas até os dias atuais. Enquanto o deputado descreveu a estrutura como tributo a “terroristas”, moradores a consideravam um registro de décadas de perdas palestinas. A demolição não resolveu esse conflito de narrativas — apenas o tornou mais visível.

https://resumosbrasil.com/stories/01a03a96-158f-2aca-7332-13a9fc7ccf4e

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