Mobilização abre portas, mas Lito Sousa continua sem acesso a tratamento experimental
Mobilização abre portas, mas Lito Sousa continua sem acesso a tratamento experimental
A campanha para incluir Lito Sousa em um tratamento experimental ganhou apoio público e respostas institucionais. Na prática, porém, o influenciador diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob continua sem acesso garantido a qualquer terapia.
De um lado, o Ministério da Saúde apresenta avanços administrativos. Alexandre Padilha afirmou ter procurado pesquisadores internacionais e formalizado um pedido para que Lito fosse incluído “na fase inicial dos testes” ligados a Harvard. Segundo o ministro, o influenciador entrou na lista de triagem, mas uma eventual participação depende do cronograma da pesquisa e da autorização da agência reguladora dos Estados Unidos.
Do outro, a família descreve um cenário bem menos promissor. A Ionis Pharmaceuticals informou que o estudo do medicamento ION717 está fechado para novos participantes e que não pode oferecer uso compassivo da substância. Já o Broad Institute sinalizou a possibilidade de Lito integrar o grupo de controle do PRiSM — com exames e acompanhamento, mas sem receber a terapia experimental. “Provavelmente teríamos que nos mudar e ficar à disposição sem ter uma certeza que um dia receberíamos o medicamento”, relatou Mila Seidl, esposa de Lito.
O próprio Broad adotou uma posição intermediária: reconheceu a mobilização, disse estar avaliando as opções e declarou que “não sabemos se poderemos ajudá-lo, mas vamos tentar”. Ao mesmo tempo, ressaltou que os estudos ainda estão em estágio inicial e não há comprovação de eficácia em humanos.
As três perspectivas convergem em um ponto: não existe hoje tratamento comprovado capaz de interromper a progressão da doença. A diferença está no peso dado aos próximos passos. Para o governo e o instituto, a triagem mantém uma possibilidade aberta; para a família, sem medicamento e diante da rápida evolução do quadro, possibilidade não equivale a tratamento.
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