Oi volta à falência com caixa no limite e R$ 44 bilhões em dívidas
Oi volta à falência com caixa no limite e R$ 44 bilhões em dívidas
A Oi voltou à falência depois de anos tentando sobreviver por meio de recuperações judiciais e vendas de ativos. A decisão expõe duas faces da mesma crise: de um lado, uma operação sem fôlego financeiro; de outro, uma fila de credores que ainda precisa ser organizada.
A Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência por unanimidade e nomeou o advogado Bruno Rezende para administrar a massa falida. A companhia acumula cerca de R$ 44,3 bilhões em dívidas e patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 22,6 bilhões. Sua projeção de caixa para o fim de julho havia despencado 78%, de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões. Ao mesmo tempo, foi suspensa uma operação de R$ 4,5 bilhões envolvendo a participação da Oi na V.tal, descrita pela própria Justiça como o “bem mais valioso da Oi”.
Uma leitura da crise destaca o colapso operacional: a desconfiança do mercado dificultou a captação de recursos, enquanto fornecedores chegaram a interromper serviços essenciais de internet e telefonia fixa. A administração judicial advertiu que a empresa caminhava para o “esgotamento total dos recursos”, com liquidez negativa.
A outra ênfase está no destino do dinheiro que ainda puder ser recuperado. A Oi reúne mais de 164 mil credores; entre eles, 8.327 trabalhadores, com R$ 1,03 bilhão a receber. Também há bancos, fundos, fornecedores e microempresas. O tribunal determinou que os pagamentos respeitem a ordem legal, mas observou que o quadro geral de credores ainda não está consolidado.
As duas perspectivas convergem no diagnóstico — a recuperação tornou-se insustentável —, mas iluminam riscos diferentes. A venda frustrada de ativos explica a falta de caixa; a ausência de uma lista definitiva de credores antecipa uma disputa complexa sobre prioridades. Depois da ambição de criar uma “supertele” em 2008, resta agora à Justiça administrar perdas acumuladas por mais de uma década.
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