Ligação de Lula destrava tarifaço, mas acordo com Trump ainda parece distante

Brasil e Estados Unidos reabrem a negociação comercial após o telefonema presidencial. Brasília buscará ampliar as exceções, embora ainda haja pouco otimismo sobre uma redução rápida das tarifas.
Ligação de Lula destrava tarifaço, mas acordo com Trump ainda parece distante

Ligação de Lula destrava tarifaço, mas acordo com Trump ainda parece distante
A conversa entre Lula e Donald Trump tirou a disputa tarifária da paralisia, mas ainda não aproximou os dois países de um acordo. A reunião técnica marcada para segunda-feira (31) será menos uma solução imediata e mais um teste da disposição de Washington para negociar.

Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, conversarão virtualmente às 14h30. Na cobertura mais favorável ao governo brasileiro, ganha destaque o fato de a iniciativa ter partido dos norte-americanos. Mesmo assim, Brasília admite haver “pouca expectativa” de redução das tarifas já nesse primeiro encontro e considera a simples reabertura do diálogo um resultado “frutífero”.

A leitura de veículos ligados à oposição converge no ponto central, mas muda a ênfase: a reunião seria o “primeiro efeito concreto” do telefonema de uma hora e vinte minutos entre os presidentes. Nessa interpretação, a intervenção direta de Lula e Trump destravou um canal que mais de 30 contatos anteriores não conseguiram fazer avançar.

As duas perspectivas também coincidem sobre a estratégia brasileira. Primeiro, o governo tentará ampliar a relação de mercadorias isentas; somente depois pretende negociar a reversão das medidas. Calçados, máquinas, madeira e açúcar permanecem entre os produtos sujeitos à alíquota adicional máxima, enquanto petróleo, café e carne bovina ficaram de fora.

O contraste está no peso dado ao encontro. Para aliados do Planalto, a retomada confirma que a pressão diplomática funcionou. Para a oposição, ela apenas inaugura a prova decisiva: saber se Trump realmente pretende flexibilizar as cobranças ou se deixará a equipe comercial manter uma posição mais dura.

O Brasil chegou a ser descrito como o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China. Lula sustenta que as justificativas americanas são “infundadas” e que manter a mesa de negociação aberta é a “melhor escolha”. Por enquanto, porém, há diálogo — não concessão.

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