Oposição diz que queda de condenação não livra Marçal da inelegibilidade

O TRE-SP afastou, por 5 votos a 1, uma punição ligada à campanha paulistana de 2024. A vitória de Pablo Marçal, porém, é parcial: outros processos ainda ameaçam seus planos eleitorais.
Oposição diz que queda de condenação não livra Marçal da inelegibilidade

Oposição diz que queda de condenação não livra Marçal da inelegibilidade
Pablo Marçal conquistou uma vitória expressiva no TRE-SP, mas ainda está longe de destravar seu futuro eleitoral. A mesma decisão que enfraqueceu uma acusação contra o influenciador também expôs uma divisão entre magistrados sobre críticas às instituições e liberdade de expressão nas redes.

Por 5 votos a 1, o tribunal julgou improcedente a ação do PSB que acusava Marçal de abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha à Prefeitura de São Paulo, em 2024. A primeira instância havia acolhido duas de dez alegações: a divulgação de conteúdo que questionava o processo eleitoral e a manutenção de um site que supostamente incentivava eleitores a produzir materiais de campanha fora das regras.

A maioria, liderada pelo juiz Regis de Castilho, entendeu que as manifestações não ameaçaram o funcionamento da Justiça Eleitoral. O relator Cláudio Langroiva discordou. Para ele, o discurso estava “dissociado da verdade fática, estruturado sobre o manifesto desprezo às instituições democráticas”. Langroiva afirmou ainda que o uso de termos como “ditadura” e “censura” poderia “solapar a confiança no sistema eletrônico de votação e comprometer a normalidade do pleito”.

O contraste é direto: enquanto a maioria tratou críticas ao Judiciário como parte do debate público, o voto vencido enxergou gravidade eleitoral no alcance e na repetição das mensagens. Quanto ao site, até Langroiva reconheceu que não ficou comprovado o engajamento efetivo de eleitores na produção irregular de propaganda.

A reversão, contudo, não encerra o impasse. Marçal ainda enfrenta processos sobre uma suposta venda de apoio a candidatos a vereador em troca de Pix e sobre o chamado “concurso de cortes”. Neste último caso, o TRE-SP manteve a inelegibilidade e uma multa de R$ 420 mil; os recursos ainda dependem do Tribunal Superior Eleitoral. Assim, a decisão desta terça-feira reduz a pressão jurídica, mas não garante uma candidatura.

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