Pró-governo diz que desastre no Nepal exige resgate total enquanto causa permanece um mistério

Nepal e China mobilizam equipes após uma enxurrada devastar comunidades e infraestrutura no Himalaia. Balanços divergem, e autoridades investigam se terremoto, avalanche de gelo ou ruptura glacial provocou a tragédia.
Pró-governo diz que desastre no Nepal exige resgate total enquanto causa permanece um mistério

Pró-governo diz que desastre no Nepal exige resgate total enquanto causa permanece um mistério
Uma enxurrada atravessou a fronteira entre Nepal e Tibete, engoliu comunidades e deixou um rastro de mortes e desaparecimentos. Enquanto Nepal e China convergem na urgência do resgate, os balanços e as explicações para o desastre ainda entram em choque.

Os números mudam conforme avançam as buscas. Um levantamento inicial registrou ao menos nove mortes e quase 400 desaparecidos, incluindo 291 estrangeiros; outro balanço elevou o total de mortos para 31. Em uma atualização posterior, foram relatadas 95 mortes, 384 viajantes desaparecidos e 88 pessoas resgatadas pelo Exército nepalês.

Em Rasuwa, uma das áreas mais atingidas, a correnteza destruiu casas, pontes, estradas e usinas hidrelétricas. O mau tempo e o nível da água impediram o pouso de helicópteros. “Há devastação para onde quer que a gente olhe”, relatou o agente de saúde Tula Bahadur BK, que disse ter cinco parentes desaparecidos.

Pequim enfatiza a resposta coordenada. Xi Jinping pediu esforços totais de busca, reforço do monitoramento e sistemas de alerta, enquanto o primeiro-ministro Li Qiang determinou a verificação imediata do número de vítimas. O vice-primeiro-ministro Zhang Guoqing foi enviado ao Tibete para acompanhar a operação.

Já a origem da enchente permanece em disputa. A agência chinesa Xinhua afirmou que um deslizamento no lado nepalês atingiu o estratégico porto de Gyirong, cortando estradas, comunicações e energia. Autoridades nepalesas, porém, investigam uma sequência diferente: “Um terremoto ocorreu às 8h37 […] e, em consequência, houve um grande deslizamento de terra que bloqueou o rio”, disse o chanceler Shishir Khanal.

Especialistas também consideram uma avalanche de gelo no rio Lhende ou o escoamento de um lago glacial — fenômeno associado a uma enchente anterior na região. O cientista Qianggong Zhang, contudo, advertiu que a “causa exata ainda será determinada”. Entre versões concorrentes, há uma certeza comum: o desastre atingiu os dois lados da fronteira e expôs novamente a vulnerabilidade dos vales do Himalaia.

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