Oposição diz que gesto de Mourão a Lula pode acender reação bolsonarista

O ex-vice-presidente apoiará a política de minerais críticos após um pedido de Lula. A convergência pontual contrasta com a polarização e pode gerar cobranças na base ligada a Bolsonaro.
Oposição diz que gesto de Mourão a Lula pode acender reação bolsonarista

Oposição diz que gesto de Mourão a Lula pode acender reação bolsonarista
Um pedido de Lula, uma resposta favorável de Hamilton Mourão e um possível novo atrito na direita. A política de minerais críticos aproximou, por alguns minutos, dois políticos de campos opostos — sem apagar as diferenças entre eles.

O encontro ocorreu na terça-feira (25), durante a cerimônia do Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército, em Brasília. Mourão, senador pelo Republicanos do Rio Grande do Sul e ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro, foi visto conversando reservadamente com Lula, uma cena que ganhou destaque justamente pelo distanciamento político entre ambos.

Segundo Mourão, o presidente pediu apoio do Senado ao projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Já aprovado pela Câmara, o texto contempla pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses recursos, além da criação de um conselho voltado à industrialização do setor. O governo quer a aprovação sem mudanças, o que evitaria uma nova votação pelos deputados.

A convergência, porém, é específica. Para o Planalto, a proposta interessa à transição energética, à tecnologia e à segurança nacional. Para Mourão, apoiar a matéria não significa aderir politicamente ao governo, mas reconhecer o mérito de uma iniciativa estratégica. Ao mesmo tempo, o senador admite que essa distinção pode não convencer a ala mais alinhada a Bolsonaro.

“O PR falou comigo sobre o projeto dos minerais críticos, pedindo apoio do Senado. Só isso”, afirmou Mourão. Na sequência, confirmou sua posição: “Falei para ele que a iniciativa tem o meu apoio”. Sobre a possível reação bolsonarista, ironizou: “Certamente vão pegar no meu pé. Hoje em dia, se o cara não está preso, já é considerado traidor…”.

Lula não comentou publicamente a conversa. Assim, enquanto Mourão apresenta o episódio como cooperação institucional em torno de uma pauta delimitada, a repercussão expõe o contraste central: governo e oposição podem concordar sobre minerais estratégicos, mas o custo político desse acordo continua sendo medido pela lógica da polarização.

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