Laudo diz que “Dark Horse” teve dinheiro privado, mas deixa a origem dos milhões sob suspeita

A perícia contratada pela produtora nega uso de recursos públicos e calcula gastos de US$ 13,39 milhões. Críticos apontam que o trabalho analisou material fornecido pela própria empresa e não rastreou toda a origem do dinheiro.
Laudo diz que “Dark Horse” teve dinheiro privado, mas deixa a origem dos milhões sob suspeita

Laudo diz que “Dark Horse” teve dinheiro privado, mas deixa a origem dos milhões sob suspeita
Uma perícia privada colocou números na produção de “Dark Horse”, mas não encerrou a controvérsia sobre seu financiamento. Enquanto aliados de Flávio Bolsonaro tratam o documento como prestação de contas, críticos veem um laudo limitado, incapaz de rastrear definitivamente a origem dos milhões.

Contratado pela GoUp Entertainment, o trabalho afirma que o filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro foi integralmente financiado por investimentos privados. Segundo o laudo, não foram identificadas “entradas de caixa oriundas de recursos públicos, repasses governamentais, Lei Rouanet, mecanismos de incentivo fiscal, doações, patrocínios ou captação pública” ligados ao projeto.

As cifras ajudam a sustentar essa versão. A perícia calcula um custo total de US$ 13,39 milhões: US$ 9,66 milhões nos Estados Unidos e US$ 3,73 milhões no Brasil. Assim, cerca de 72% das despesas teriam ocorrido fora do país, incluindo pré-produção, filmagens, pós-produção e atividades logísticas. O fundo norte-americano Havengate aparece como financiador, mas o trabalho não mapeou a origem dos recursos repassados pelo fundo; o perito alegou confidencialidade contratual e sigilo bancário.

É justamente aí que as leituras se separam. Para a versão favorável ao senador, o laudo demonstra que o dinheiro foi privado e que a produtora gastou até mais do que os valores associados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para os críticos, porém, isso não equivale a uma prestação de contas completa.

O próprio documento ressalva que suas conclusões “limitam-se ao material examinado” e foram baseadas em documentos fornecidos pela produtora. A reportagem crítica também observa que extratos, contratos, notas fiscais e planilhas mencionados na análise não foram anexados ao laudo divulgado, dificultando uma verificação independente.

Há, portanto, um ponto de concordância: a perícia organiza os custos e não detecta dinheiro público no material recebido. A divergência está no alcance dessa conclusão. Para um lado, ela esclarece o caso; para o outro, apenas abre uma nova etapa da investigação sobre quem efetivamente bancou “Dark Horse” e por quê.

https://resumosbrasil.com/stories/01a03e71-492e-310b-7121-142ae24f543d

Write a comment