Acordo salva isenção das blusinhas, mas fim da escala 6x1 enfrenta resistência

Lula e os chefes do Congresso fecharam um calendário para pautas de apelo popular antes das eleições. A isenção de importações ganhou promessa de votação, enquanto mudanças na jornada ainda dividem governo e oposição.
Acordo salva isenção das blusinhas, mas fim da escala 6x1 enfrenta resistência

Acordo salva isenção das blusinhas, mas fim da escala 6x1 enfrenta resistência
Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre saíram do impasse com uma promessa de velocidade — mas não com garantia de vitória em todas as frentes. A isenção para compras internacionais ganhou uma rota mais curta; o fim da escala 6x1 ainda enfrenta obstáculos no Senado.

Para o governo, o acordo recompõe a articulação política e abre uma janela para avançar, antes das eleições, em propostas com forte apelo popular. Lula reconheceu que continuam existindo diferenças, mas defendeu foco comum: “O que é importante é que a gente tenha dimensão do que é mais importante, do que é principal e do que é prioritário”.

A urgência maior está na medida provisória que suspendeu o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Sem aprovação do Congresso, ela perde a validade em 8 de setembro. Alcolumbre assumiu publicamente o compromisso: “Essa MP não vai caducar”. A comissão mista deverá ser presidida pelo deputado Reginaldo Lopes, do PT, enquanto a relatoria ficará com um senador.

O contraste aparece no calendário. A MP tem votação anunciada na Câmara e no Senado durante o esforço concentrado; as PECs da escala 6x1 e da Segurança Pública, por enquanto, devem apenas passar pela Comissão de Constituição e Justiça. Alcolumbre não garantiu que ambas chegarão ao plenário na mesma semana.

Na jornada de trabalho, governo e oposição concordam que a transição precisa ser discutida, mas divergem sobre ritmo e alcance. Senadores oposicionistas apresentaram emendas para ampliar de um para quatro anos a redução da carga semanal até 40 horas, alegando necessidade de “segurança jurídica, previsibilidade econômica e equilíbrio setorial”. Outra proposta preserva o teto de 44 horas e condiciona eventuais reduções à negociação coletiva.

Assim, o almoço produziu uma trégua política e um roteiro legislativo. A isenção das “blusinhas” parece mais perto de sobreviver; a escala 6x1, embora destravada, continua cercada por disputa econômica, resistência parlamentar e relógio eleitoral.

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