Deflação surpreende, mas alívio no bolso ainda é desigual

O IPCA-15 caiu 0,40% em agosto, com energia, combustíveis e alimentos mais baratos. Apesar do resultado melhor que o esperado, a inflação ainda acumula 4,24% em 12 meses e serviços importantes continuam subindo.
Deflação surpreende, mas alívio no bolso ainda é desigual

Deflação surpreende, mas alívio no bolso ainda é desigual
A maior deflação mensal em quatro anos trouxe algum alívio ao orçamento doméstico — mas não encerrou a pressão sobre o custo de vida. Enquanto contas de luz, combustíveis e alimentos recuaram, despesas com saúde, educação e alimentação fora de casa continuaram avançando.

O IPCA-15 caiu 0,40% em agosto de 2026, ante alta de 0,06% em julho. No ano, porém, o índice ainda acumula 3,09%; em 12 meses, chega a 4,24%, abaixo dos 4,52% registrados anteriormente. A leitura mais cautelosa ressalta que a deflação ficou concentrada em Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas, embora todas as 11 regiões pesquisadas tenham apresentado variações negativas.

A energia elétrica residencial, beneficiada pelo Bônus de Itaipu, caiu 6,25% e respondeu pelo maior impacto individual. Nos transportes, as passagens aéreas recuaram 13,30%, enquanto os combustíveis ficaram 1,43% mais baratos. A gasolina caiu 1,23% e o etanol, 3,63%.

A perspectiva mais favorável destaca o efeito imediato sobre itens presentes no cotidiano. “O destaque mesmo vem para alimentação no domicílio. É um alívio bem legal”, afirmou o economista Bruno Perri, citando também a queda superior a 2% do feijão-carioca. Tomate, batata-inglesa e cenoura recuaram 27,38%, 25,14% e 17,05%, respectivamente.

O contraste aparece nos produtos e serviços que seguiram encarecendo. O leite longa vida subiu 3,41%, e as frutas, 3,11%. Despesas pessoais avançaram 0,66%, puxadas pelo reajuste dos cigarros; educação aumentou 0,46%, e saúde e cuidados pessoais, 0,40%. Comer fora também ficou 0,42% mais caro.

Assim, as duas leituras partem do mesmo dado, mas enfatizam pontos diferentes: uma vê uma trégua expressiva, capaz de aliviar famílias e expectativas de juros; a outra lembra que o recuo foi impulsionado por itens específicos e não representa, por si só, uma queda generalizada e duradoura dos preços.

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